O presidente Lula (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com a apuração concluída, o petista garantiu mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.
O sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, o petista somava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.
Na atualização nacional das 21h23, com 99,85% das seções apuradas, Lula tinha 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio, diferença de 3,52 pontos percentuais.
A vitória é histórica: pela primeira vez desde a redemocratização, em 1989, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar a disputa e ser eleito presidente. Em todas as sete eleições presidenciais anteriores que foram para o segundo turno, o líder da primeira etapa confirmou a vitória na final.
A disputa de 2026 foi a mais apertada da história recente. No primeiro turno, realizado no dia 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos — a menor já registrada entre os dois primeiros colocados desde a retomada das eleições diretas.
Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
A campanha do segundo turno foi marcada pela polarização e pela alta rejeição dos dois candidatos.
‘Exército do Lula’
Para concretizar a virada inédita, uma das principais apostas da campanha de Lula foi na mobilização digital para ampliar o alcance de seus feitos e propostas. Comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal de WhatsApp “Exército do Lula” ultrapassou 10,6 milhões de usuários nos últimos dias da disputa. Em uma transmissão ao vivo com Janones, de sexta-feira (23) até sábado (24), o presidente afirmou que pretendia chegar a 11 milhões de participantes naquele dia e alcançar 13 milhões na sequência.
A iniciativa teve como objetivo aproximar Lula de seus apoiadores e ampliar a circulação de conteúdos favoráveis à campanha. A mobilização ocorreu em paralelo à disputa sobre o alcance das publicações políticas nas redes sociais, que acabou na Justiça Eleitoral.
Na reta final da campanha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a fiscalização sobre conteúdos publicados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo influenciador Pablo Marçal. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta e o X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance e a distribuição de publicações dos dois.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve a campanha de Flávio Bolsonaro e apura possíveis irregularidades na divulgação de conteúdo eleitoral. A campanha de Lula alegou que publicações nas redes sociais poderiam favorecer o senador. As acusações ainda dependiam de apuração.
O ministro também determinou restrições à recomendação automática de publicações de Nikolas e Marçal a usuários que não seguissem seus perfis. A medida não determinou a exclusão das contas, mas estabeleceu limites à distribuição dos conteúdos nos termos da decisão judicial.
Nikolas reagiu nas redes sociais e pediu que seus seguidores compartilhassem suas publicações, em vez de apenas curti-las. O deputado também mencionou um ato de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
MPE defende extinção de processo sobre sigilos
Outro embate envolveu a quebra de sigilo dos dados bancários, fiscais e telefônicos de Lula e Flávio Bolsonaro. A campanha de Lula levou ao TSE um pedido relacionado à abertura dos sigilos, em meio à discussão sobre a vontade dos presidenciáveis de tornar públicas informações pessoais.
Na sexta-feira, o Ministério Público Eleitoral defendeu a extinção do processo sem análise do mérito. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, avaliou que o caso não justificava a atuação da Justiça Eleitoral.
A discussão ganhou força depois que a campanha de Lula apresentou um documento em que defendia a divulgação simultânea das informações dos dois candidatos.
O domingo da virada
O domingo de votação também foi marcado por uma disputa judicial sobre o acesso dos eleitores às urnas. A campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) após relatar problemas no transporte público e dificuldades de deslocamento em algumas localidades.
O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. A medida alterou os procedimentos previstos para o encerramento do pleito e mobilizou a Justiça Eleitoral nas horas finais da votação.
Após receber informações do Tribunal Superior Eleitoral, Zanin esclareceu que a extensão do prazo deveria valer para as seções que ainda não haviam encerrado a votação.
Fonte: JP










