Quem está passando por um problema de saúde mental e não sabe onde procurar ajuda pode encontrar atendimento na rede pública de Diadema sem precisar, necessariamente, passar primeiro por uma consulta médica ou apresentar encaminhamento. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município realizam acolhimento por demanda espontânea, sem necessidade de agendamento prévio.
Atualmente, Diadema conta com cinco CAPS municipais: CAPS III Norte, CAPS III Sul/Oeste, CAPS III Leste, CAPS III Álcool e Drogas (AD) e CAPS Infantojuvenil III (IJ). Todos são da modalidade III, com funcionamento 24 horas. O CAPS III Leste está temporariamente com o atendimento suspenso e teve seus usuários redistribuídos entre as unidades Norte e Sul/Oeste, de acordo com o território das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de referência.
Os CAPS integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e atendem, prioritariamente, pessoas com transtornos mentais graves, crônicos e persistentes, além de pessoas cujo sofrimento esteja relacionado ao uso de álcool e outras drogas. O atendimento também contempla situações de crise e pessoas que necessitam de acompanhamento para reabilitação psicossocial.
Onde procurar atendimento – Os CAPS III destinados ao atendimento de adultos possuem divisão territorial. O CAPS III Norte atende moradores dos bairros Jardim Reid, Maria Tereza, Canhema, Paineiras, Jardim das Nações e Jardim ABC. O CAPS III Sul/Oeste é referência para Parque Real, Conceição, Inamar, Eldorado, Paulina e Serraria.
Já o CAPS III Leste, que está temporariamente suspenso, tinha como território de referência Centro, Piraporinha, Nova Conquista, Vila São José, Vila Nogueira, Jardim Ruyce, Casa Grande e Jardim Promissão.
Durante a suspensão, os usuários foram redistribuídos conforme a UBS de referência. Os vinculados às UBS Nova Conquista, Piraporinha, Nogueira e Vila São José passaram a ser atendidos pelo CAPS Norte. Já os usuários das UBS Centro, Promissão, Casa Grande e Ruyce foram destinados ao CAPS Sul/Oeste.
O CAPS III Álcool e Drogas atende todo o município e é especializado no cuidado de pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. O CAPS Infantojuvenil também atende toda a cidade, mas voltado a crianças e adolescentes.
Como funciona o primeiro atendimento – Não é necessário ter encaminhamento médico para procurar um CAPS. A pessoa pode chegar diretamente à unidade durante o horário de acolhimento, das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira.
No primeiro contato, a equipe realiza uma avaliação psicossocial para entender a situação e identificar qual é o cuidado mais adequado. O fato de procurar um CAPS, porém, não significa automaticamente que a pessoa será matriculada no serviço.
Quando o acompanhamento pelo CAPS é indicado, a equipe constrói junto com o usuário o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que define as estratégias de cuidado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Quando o caso não corresponde ao perfil do CAPS, a equipe realiza o encaminhamento responsável para outro serviço da rede.
A avaliação considera mais do que o diagnóstico. São analisados fatores como intensidade do sofrimento, existência de crise ou risco para a própria pessoa ou terceiros, autonomia, funcionamento social, vínculos familiares, uso de substâncias, histórico de internações e necessidade de acompanhamento intensivo ou médico.
CAPS não é só consulta médica – O cuidado oferecido nos CAPS é multiprofissional e interdisciplinar. Dependendo da necessidade do usuário e de seu projeto terapêutico, podem ser realizados atendimentos médicos e psiquiátricos, de enfermagem, psicológicos e de outros profissionais da equipe, além de atendimento individual e familiar.
Também fazem parte do trabalho grupos e oficinas terapêuticas, visitas domiciliares, atividades comunitárias e ações de reabilitação psicossocial.
As atividades podem envolver arte, esporte, lazer, cultura, psicoterapia, práticas corporais e práticas integrativas, entre outras. A família também pode participar do tratamento, por meio de atendimentos, grupos, orientações e da construção do projeto terapêutico.
A proposta é que o cuidado não fique restrito ao espaço do CAPS. As equipes articulam o acompanhamento com UBS, serviços de urgência e emergência, hospitais, assistência social, escolas e outros equipamentos, de acordo com as necessidades de cada usuário.
Em caso de crise, CAPS III funciona 24 horas – Embora o acolhimento de novos casos ocorra de portas abertas das 8h às 18h nos dias úteis, as unidades CAPS III funcionam 24 horas.
Durante a noite, nos finais de semana e feriados, o atendimento é destinado aos usuários que já se encontram em situação de crise e em Acolhimento Integral na unidade.
Em situações de crise mais grave, a orientação depende da condição da pessoa. Os CAPS III podem realizar acolhimento e manejo de crises, mas situações que exigem atendimento de urgência ou emergência devem ser encaminhadas aos serviços específicos da rede.
Tentativa ou risco imediato de suicídio, intoxicação ou abstinência grave, alteração importante do nível de consciência e agitação psicomotora grave estão entre as situações que demandam atendimento de urgência. Nesses casos, a orientação é procurar uma UPA ou pronto-socorro ou acionar o SAMU pelo telefone 192.
O SAMU é especialmente indicado quando existe risco imediato ou quando não é seguro transportar a pessoa por meios próprios.
UBS é a porta de entrada para muitos casos – Para quem está enfrentando sofrimento emocional, mas não sabe qual serviço procurar e não está em situação de emergência, a orientação da Secretaria Municipal da Saúde é buscar a UBS de referência.
As Unidades Básicas de Saúde são a porta de entrada preferencial do SUS e também integram a Rede de Atenção Psicossocial. Elas realizam acolhimento, acompanhamento de casos de sofrimento psíquico leve ou moderado e cuidado longitudinal, além de identificar situações que necessitem de acompanhamento especializado.
Quando necessário, a UBS articula o atendimento com o CAPS ou com outros serviços da rede.
Assim, a pessoa não precisa saber previamente qual é o diagnóstico ou qual equipamento deve procurar. A avaliação da equipe ajuda a definir o caminho do cuidado.
Álcool e outras drogas – O CAPS III Álcool e Drogas (CAPS AD III) é o serviço especializado para pessoas que apresentam necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
O atendimento inclui acompanhamento médico e psiquiátrico, enfermagem, grupos e oficinas, prevenção de recaídas, redução de danos, orientação e atendimento às famílias, acolhimento integral e manejo de situações de crise.
O cuidado não exige que a pessoa esteja em abstinência para ter acesso ao serviço. A equipe pode trabalhar também com estratégias de redução de danos, definidas de acordo com as necessidades e o Projeto Terapêutico Singular.
Atendimento para crianças e adolescentes – O CAPS Infantojuvenil III atende crianças e adolescentes de todo o município em situações de sofrimento psíquico intenso e transtornos mentais graves e persistentes. O serviço também pode atender situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas quando houver indicação.
Além dos atendimentos individuais e multiprofissionais, o serviço oferece grupos, oficinas, atendimento às famílias, acolhimento integral e manejo de crises.
O cuidado envolve a participação dos responsáveis e pode ser articulado com UBS, escolas, assistência social, Conselho Tutelar e outros serviços da rede de proteção, de acordo com cada situação.
Cuidado também acontece fora do CAPS – A Rede de Atenção Psicossocial inclui ainda serviços como UBS, Consultório na Rua, UPA, SAMU, hospitais e equipamentos de assistência social e outras políticas públicas.
No caso da população em situação de rua, o Consultório na Rua atua no território com busca ativa, acolhimento, acompanhamento clínico e de saúde mental, redução de danos e articulação com UBS, CAPS e demais serviços.
A reabilitação psicossocial também faz parte do trabalho dos CAPS. As ações podem envolver convivência, fortalecimento de vínculos, atividades culturais, esporte, lazer, trabalho, geração de renda e participação comunitária, buscando ampliar a autonomia e a inserção social dos usuários.
Mais de 115 mil atendimentos em 2025 – Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, os cinco CAPS de Diadema realizaram 115.395 atendimentos em 2025, considerando as diferentes modalidades de cuidado.
Atualmente, cada CAPS atende aproximadamente 350 pessoas por mês, entre acolhimentos, atendimentos individuais, grupos e oficinas, atenção às crises e outras ações de cuidado.
Somente no primeiro quadrimestre de 2026, o CAPS III Norte realizou 3.006 atendimentos individuais, 1.094 em grupo e 553 acolhimentos diurnos, além de 132 atendimentos em situações de crise e 129 ações de reabilitação psicossocial.
No mesmo período, o CAPS Infantojuvenil realizou 1.462 atendimentos individuais, 583 em grupo, 1.265 atendimentos a familiares, 393 atendimentos em situações de crise e 666 ações de reabilitação psicossocial.
Já o CAPS AD III registrou 3.605 atendimentos individuais, 723 em grupo, 1.162 acolhimentos noturnos, 210 atendimentos em situações de crise e 263 ações de redução de danos.
A Secretaria informa que não há atualmente demanda reprimida ou fila para acompanhamento nos CAPS.
O que levar – Para o primeiro atendimento, é recomendável levar documento de identificação e Cartão SUS, se a pessoa possuir. Nos CAPS de atendimento adulto, também é importante informar o endereço e o CEP de residência para identificação da unidade de referência.
A falta desses documentos, entretanto, não impede o acolhimento, especialmente em situações de crise.
Quando procurar ajuda – Mudanças importantes no comportamento, no funcionamento cotidiano ou no autocuidado podem indicar a necessidade de avaliação profissional. Entre os sinais de alerta estão isolamento intenso, abandono das atividades habituais, insônia persistente, agitação ou comportamento desorganizado, alterações importantes da fala ou do comportamento, ideias persecutórias ou alucinações, abandono do autocuidado, aumento do uso de álcool ou outras drogas, recaídas, ameaças ou tentativa de suicídio e comportamento agressivo.
Em situações sem risco imediato, a pessoa pode procurar a UBS de referência ou o CAPS correspondente ao seu território, conforme o caso.
Em situações de emergência, como tentativa de suicídio, risco imediato, intoxicação ou abstinência grave, alteração importante da consciência ou agitação psicomotora grave, a orientação é procurar uma UPA ou pronto-socorro ou acionar o SAMU 192.
Serviço
CAPS III Norte
Rua Capibaribe, 193 – Campanário
Telefone: (11) 4071-9899
Funcionamento: 24 horas
CAPS III Sul/Oeste
Rua Coimbra, 774 – Centro
Telefone: (11) 4056-4009
Funcionamento: 24 horas
CAPS Infantojuvenil III (IJ)
Rua Coimbra, 760 – Centro
Telefones: (11) 98816-1643 / 4044-4675
Funcionamento: 24 horas
CAPS III Álcool e Drogas (AD)
Rua Coimbra, 786 – Centro
Telefones: (11) 98962-0565 / (11) 4044-7387 / (11) 4044-7540
Funcionamento: 24 horas
Acolhimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento prévio.
Em situações de urgência e emergência: UPA, pronto-socorro ou SAMU 192
Foto: DivulgaçãoPMD










