A Artesp determinou a abertura de um processo administrativo de caducidade que poderá resultar no encerramento da concessão da Next Mobilidade, responsável pelo BRT-ABC, pelo Corredor Metropolitano ABD e pelas linhas intermunicipais da antiga Área 5, em São Paulo. A decisão foi aprovada por unanimidade nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, diante dos atrasos nas obras do corredor de ônibus elétricos que deverá ligar o ABC Paulista à capital.
Segundo a agência, a empresa não concluiu as obras e não apresenta condições técnicas e operacionais para finalizá-las até o término de outubro, prazo assumido em seu Plano de Ação. A concessionária será intimada a apresentar defesa antes de uma eventual decretação de caducidade. O procedimento coloca em discussão um contrato que, além da construção do BRT, reuniu a modernização do Corredor ABD e a renovação dos ônibus das linhas comuns do ABC, com investimentos já incorporados ao atendimento dos passageiros.
Decisão de outubro transforma a pré-caducidade em processo que pode encerrar a concessão
A determinação consta da Deliberação Artesp nº 749, aprovada na 1214ª reunião ordinária do Conselho Diretor, realizada em 5 de outubro, às 11h. A ata foi publicada na edição da mesma data do Diário Oficial do Estado.
A agência determinou a conversão do procedimento de apuração de inadimplemento, até então em fase de pré-caducidade, em Processo Administrativo de Caducidade.
Também ordenou a continuidade da tramitação, com intimação da ABC Sistema de Transporte SPE S.A., razão social da Next Mobilidade, para apresentar defesa. O não acolhimento dessa defesa poderá culminar na decretação da caducidade do contrato de concessão nº 20/1997.
Caducidade é o encerramento de uma concessão por descumprimento de obrigações da concessionária. A deliberação abre essa etapa formal, mas ainda não declara o contrato extinto.
O processo é o 134.00030141/2025-52, autuado em agosto de 2025. A consulta pública do SEI registra a publicação da deliberação de outubro às 22h07 de segunda-feira.
Artesp considera descumpridos o prazo contratual e a meta do Plano de Ação
O Conselho Diretor reconheceu que a concessionária descumpriu o prazo contratualmente definido para concluir as obras do BRT-ABC, indicado na decisão como 30 de novembro de 2024.
A agência também registrou que deu oportunidade para corrigir as inadimplências, por meio de intimação que detalhou os problemas e abriu prazo para saneamento, fundamentada em relatórios técnicos de fiscalização.
A avaliação de outubro é que as obras permanecem inconclusas e não há condições técnicas e operacionais para finalizá-las até o término do mês. Segundo a Artesp, isso frustra a meta com a qual a própria concessionária havia se comprometido.
A decisão cita a petição e o Plano de Ação identificados no SEI pelos números 0085294578 e 0085295014, apresentados em outubro de 2025.
O prazo contratual mencionado pela agência deve ser distinguido das previsões de inauguração divulgadas ao longo dos anos. A cobertura do Diário do Transporte registrou promessas anteriores de atendimento em 2023 e sucessivas alterações, inclusive conclusão em dezembro de 2025, operação em janeiro de 2026 e etapas posteriores durante 2026.
Antiga Área 5 passou anos com permissões precárias antes da reorganização de 2021
A dimensão do processo vai além de um novo corredor ainda em construção.
A antiga Área 5 da EMTU abrangia linhas metropolitanas do ABC Paulista, atendendo os sete municípios da região e suas ligações com São Paulo. Enquanto as outras quatro áreas da Grande São Paulo tiveram contratos decorrentes da licitação de 2006, os serviços do ABC permaneceram durante anos sob permissões precárias e operados por diferentes empresas.
A reorganização adotada em 2021 incorporou essas linhas à prorrogação da concessão do Corredor ABD, originalmente contratada em 1997. A Next assumiu os serviços por etapas, concluindo a transferência em março de 2022.
Os registros da EMTU apontam que as linhas remanescentes eram anteriormente operadas por 16 permissionárias. A mudança concentrou a responsabilidade contratual pelo conjunto de serviços na ABC Sistema de Transporte, apresentada ao público como Next Mobilidade.
Entre as empresas cujos serviços foram incorporados estavam EAOSA, Viação Ribeirão Pires, ABC, Expresso São Bernardo, MobiBrasil, Publix, Transbus, Auto Viação Triângulo, Empresa Urbana Santo André, Viação Imigrantes, Viação São Camilo, Viação Riacho Grande, Tucuruvi, VIPE e Rigras.
Renovação trouxe ônibus novos às linhas comuns, mas obrigações do BRT continuaram pendentes
A reorganização trouxe benefícios com a entrada de veículos novos em linhas que anteriormente dependiam de uma frota mais antiga.
Segundo a EMTU, 116 ônibus novos começaram a circular em agosto de 2021, e outros 14 veículos zero-quilômetro chegaram em março de 2022. Naquele momento, a estatal vinculava a renovação a um investimento anunciado de R$ 90,2 milhões.
A última etapa da transferência envolveu 11 linhas da Rigras. Ao anunciar a conclusão da reorganização, a EMTU informou que a Next passaria a operar 103 linhas na região, incluindo os serviços do Corredor ABD. Esses números correspondem à situação divulgada em 2022, não a um inventário atualizado de outubro de 2026.
Para o passageiro, substituir veículos antigos representa a possibilidade de reduzir falhas associadas ao desgaste, melhorar o conforto e dar maior previsibilidade à viagem. A reorganização também passou a reunir em uma concessionária as responsabilidades pela operação e pelos investimentos previstos no contrato.
A renovação, entretanto, não foi concluída de uma só vez. Em julho de 2024, o Diário do Transporte mostrou que 21% dos ônibus comuns das linhas intermunicipais do ABC ainda tinham mais de dez anos, embora a substituição estivesse em curso. O dado se refere àquele levantamento e não deve ser apresentado como retrato da frota atual.
Corredor ABD também recebeu veículos maiores e conversões de ônibus a diesel em trólebus
As mudanças divulgadas pela Next não se limitaram às linhas comuns.
Em resposta publicada pelo Diário do Transporte em 14 de janeiro de 2026, a concessionária informou que havia comprado, em 2025, dez trólebus novos de 21,5 metros para substituir modelos antigos de 12 metros.
Também relatou a transformação de 11 ônibus articulados a diesel, de 18 metros, em trólebus. Segundo a empresa, os veículos seriam aposentados e receberam adaptação para continuar no atendimento com tração elétrica.
A Next anunciou ainda uma nova padronização visual para os trólebus, inclusive os já em circulação, seguindo a mesma linha de desenho prevista para os veículos do BRT.
A incorporação de veículos maiores amplia a capacidade por viagem. Esses investimentos integram o histórico de modernização do corredor existente, enquanto a entrega do BRT permanece uma obrigação própria dentro da mesma concessão.
Prorrogação até 2046 reuniu operação existente, renovação de frota e construção do BRT
O modelo adotado pelo Governo de São Paulo em 2021 prorrogou antecipadamente a concessão do Corredor ABD por 25 anos, até 2046, em troca de novos investimentos.
O conjunto incluiu a construção e operação do BRT-ABC, a modernização do corredor de ônibus e trólebus e a incorporação das linhas remanescentes da Área 5.
O valor de R$ 22,6 bilhões associado à contratação corresponde ao conjunto da concessão ao longo do período. Não é o custo isolado das obras do BRT, cuja estimativa divulgada posteriormente chegou a aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
O arranjo foi questionado no Supremo Tribunal Federal pelo partido Solidariedade. Em agosto de 2023, o STF validou a prorrogação antecipada e a incorporação dos novos investimentos à concessão.
O julgamento tratou da constitucionalidade do modelo. A execução das obrigações e o cumprimento dos prazos continuaram sujeitos à fiscalização do poder público.
BRT substituiu a Linha 18-Bronze e foi apresentado como alternativa de implantação mais rápida
O BRT-ABC foi escolhido durante a gestão do então governador João Doria para substituir a Linha 18-Bronze, projeto de monotrilho entre o ABC e a capital que não chegou a ser construído.
A justificativa do Estado envolvia o custo e as dificuldades de implantação do sistema sobre trilhos. O corredor de ônibus elétricos foi apresentado como uma alternativa de execução mais rápida.
As obras do BRT começaram em fevereiro de 2022. Desde então, o empreendimento passou por alterações de projeto e sucessivos adiamentos.
Em maio de 2024, a Next anunciou aos prefeitos do Consórcio Intermunicipal Grande ABC que concluiria as obras em dezembro de 2025, com operação em janeiro de 2026. Na mesma ocasião, os municípios cobraram integração com os ônibus municipais, e a concessionária anunciou a formação de um grupo de trabalho para discutir o tema.
Dados técnicos mostram o projeto integral e as características dos ônibus elétricos
BRT é a sigla em inglês para Bus Rapid Transit, sistema de transporte por ônibus que combina infraestrutura exclusiva e medidas para reduzir o tempo de viagem.
No BRT-ABC, o projeto prevê corredor segregado, pagamento antes do embarque e plataformas na altura do piso dos veículos.
Os dados abaixo são características e projeções divulgadas na cobertura do empreendimento. Demanda e capacidade são estimativas, não resultados de uma operação comercial já implantada.
Item Característica divulgada
Ligação principal São Bernardo–São Paulo, passando por Santo André e São Caetano
Extensão Cerca de 17,3 km; divulgações em diferentes momentos também mencionaram 17,5 km e 17,8 km…
[12:17, 06/10/2026] Adamo Bazani: NEXT Mobilidade diz que dialoga com Artesp para evitar caducidade e pede que Governo considere reais moivos de atrasos do BRT-ABC
Em resposta ao Diário do Transporte, concessionária cita interferências em redes de serviços públicos, desapropriações e licenciamentos; empresa informa ter 20 ônibus elétricos disponíveis para operação experimental gratuita entre Metrópole e Vila Império.
A NEXT Mobilidade afirma que interferências em redes de serviços públicos, remanejamentos de infraestrutura, adequações viárias, desapropriações e licenciamentos afetaram a implantação do BRT-ABC e informa que está discutindo com a Artesp uma reprogramação do cronograma. Em resposta ao Diário do Transporte nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, a concessionária sustenta que parte das ocorrências depende de outros agentes públicos e privados e deve ser considerada na análise das responsabilidades pelos atrasos do corredor de ônibus elétricos entre o ABC Paulista e São Paulo.
A empresa também informa que o primeiro trecho, entre a Parada Metrópole e a Vila Império, tem aproximadamente dez quilômetros, nove estações e licença ambiental de operação, com 20 ônibus elétricos articulados disponibilizados. A NEXT propôs uma operação assistida, experimental e gratuita, condicionada à conclusão das providências e às autorizações necessárias. A manifestação, entretanto, não estabelece uma nova data para inauguração parcial ou entrega integral, nem informa que a Artesp tenha aprovado outro cronograma.
A resposta foi encaminhada depois de o Diário do Transporte revelar, na manhã desta terça-feira, a abertura do processo administrativo de caducidade da concessão. A medida poderá resultar no encerramento do contrato, que reúne a implantação do BRT, a operação do Corredor Metropolitano ABD e as linhas intermunicipais da antiga Área 5.
NEXT pede análise individual dos fatores que interferiram nas obras
A concessionária argumenta que a implantação ocorre em uma área urbana consolidada, com infraestrutura existente e intervenções que exigem coordenação entre diferentes instituições.
Na avaliação da empresa, a análise do atraso precisa identificar a origem de cada ocorrência, seu efeito sobre as obras e a responsabilidade contratual correspondente.
A NEXT também sustenta que a atribuição de determinado risco à concessionária não significa que ela deva absorver integralmente as consequências de qualquer evento relacionado a esse risco. A argumentação se refere, especialmente, a fatos que a empresa considera extraordinários, posteriores à contratação e fora de sua esfera de controle.
Esses elementos serão apresentados na defesa, acompanhados, segundo a concessionária, de documentação técnica e contratual.
A manifestação representa a posição da NEXT sobre as causas dos atrasos. O reconhecimento dessas justificativas e de seus possíveis efeitos sobre prazos e obrigações dependerá da análise no processo administrativo.
A empresa afirma manter reuniões periódicas com a Artesp para acompanhar a execução, discutir dificuldades e definir providências para a conclusão. É nessas tratativas, segundo a nota, que está sendo discutida a reprogramação.
Processo de caducidade foi aberto, mas concessão continua em vigor
O Conselho Diretor da Artesp aprovou por unanimidade, em 5 de outubro, a conversão do procedimento de apuração de inadimplemento, que estava em fase de pré-caducidade, em processo administrativo de caducidade.
A agência considera descumprido o prazo contratual de conclusão das obras, identificado na deliberação como 30 de novembro de 2024. Também avalia que não existem condições técnicas e operacionais para finalizar o empreendimento até o encerramento de outubro de 2026, meta assumida pela concessionária em seu Plano de Ação.
A decisão determina a intimação da ABC Sistema de Transporte SPE S.A., razão social da NEXT Mobilidade, para apresentar defesa.
Caducidade é a extinção de uma concessão por descumprimento de obrigações da concessionária. A abertura do processo permite apurar os fatos e examinar a defesa; ainda não equivale à decretação do encerramento contratual.
A deliberação também não determina a suspensão imediata das linhas existentes. O alcance da discussão, porém, ultrapassa o BRT, porque a concessão abrange outros serviços utilizados diariamente pelos passageiros do ABC.
Veja resposta na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
A Next Mobilidade informa que tomou conhecimento da Deliberação ARTESP nº 749, que determinou a conversão do procedimento administrativo em Processo Administrativo de Caducidade relacionado ao Contrato de Concessão nº 020/1997.
A Concessionária apresentará, no momento processual oportuno, sua defesa e todos os elementos técnicos, contratuais e documentais necessários à adequada compreensão das circunstâncias que impactaram o cronograma de implantação do BRT ABC.
É importante esclarecer que a instauração do Processo Administrativo de Caducidade não significa a decretação da caducidade da concessão. Trata-se da abertura de procedimento no qual serão assegurados o contraditório e a ampla defesa e no qual deverão ser examinados, de forma individualizada, os fatos que interferiram na execução do empreendimento, seus respectivos impactos e a responsabilidade atribuível a cada um deles.
A alocação contratual de determinado risco à Concessionária não importa, por si só, a assunção irrestrita das consequências de todo e qualquer evento relacionado materialmente àquele risco, sobretudo quando sua concretização decorre de fato extraordinário, superveniente e estranho à esfera de controle da Concessionária, cuja natureza, dimensão ou consequências não poderiam razoavelmente ter sido consideradas na formação da proposta e na equação econômico-financeira original.
O BRT ABC é uma obra de elevada complexidade, implantada em ambiente urbano consolidado e que, ao longo de sua execução, foi impactada por graves interferências e intercorrências, envolvendo, entre outras questões, redes de serviços públicos, remanejamentos de infraestrutura, adequações viárias, desapropriações, licenciamentos e providências que dependem da atuação coordenada de diferentes órgãos e agentes públicos e privados.
Essas ocorrências produziram impactos relevantes no desenvolvimento das obras e no cronograma originalmente estabelecido, razão pela qual a avaliação dos prazos não pode ser dissociada das causas concretas que afetaram a execução do empreendimento, nem da correspondente alocação contratual de responsabilidades e riscos.
Nesse contexto, a Next Mobilidade vem mantendo reuniões periódicas com a ARTESP, nas quais são acompanhados o avanço das obras, as dificuldades encontradas e as providências necessárias à sua conclusão. Nessas tratativas, também vem sendo discutida a reprogramação do cronograma de implantação do BRT ABC, de maneira a compatibilizá-lo com os impactos decorrentes das interferências e intercorrências verificadas ao longo da execução.
A própria análise dessas ocorrências pressupõe a identificação de sua origem e da responsabilidade correspondente, inclusive quanto àquelas que não se encontram sob a esfera de atuação exclusiva da Concessionária. A Next Mobilidade confia que esses elementos serão devidamente considerados no curso do processo administrativo.
As obras, por sua vez, permanecem em andamento e encontram-se em estágio avançado. O primeiro trecho do BRT ABC, entre a Parada Metrópole e a Vila Império, compreende aproximadamente 10 quilômetros e nove estações, atravessando São Bernardo, Santo André e São Caetano.
Esse trecho já conta com Licença de Operação emitida pela CETESB, e a Next Mobilidade já disponibilizou 20 ônibus elétricos articulados para o início da operação. A concessionária também implantou, em sua garagem de São Bernardo do Campo, infraestrutura de recarga com capacidade para recarregar até 14 veículos simultaneamente.
A Next Mobilidade já apresentou proposta para o início de uma operação assistida, experimental e gratuita nesse primeiro trecho, com o objetivo de colocar à disposição da população, tão logo sejam concluídas as providências e obtidas as autorizações necessárias, a infraestrutura já implantada.
Além da conclusão da infraestrutura física do primeiro trecho, a Next Mobilidade já disponibilizou os recursos necessários à sua futura operação, incluindo frota de ônibus elétricos articulados e infraestrutura de recarga, e já apresentou proposta para o início de operação assistida, experimental e gratuita. O conjunto dessas medidas demonstra que o empreendimento se encontra em estágio avançado não apenas de implantação, mas também de preparação para sua entrada em operação.
O atual estágio do empreendimento demonstra que o BRT ABC não é uma obra paralisada ou abandonada. Há obras executadas e em execução, investimentos realizados, infraestrutura operacional instalada e frota elétrica disponibilizada para o sistema.
A Next Mobilidade reafirma seu compromisso com a conclusão e a entrada em operação integral do BRT ABC e continuará colaborando com a ARTESP e com o Poder Concedente, mantendo o diálogo técnico e institucional que vem sendo desenvolvido.
A Concessionária confia que, no âmbito do processo administrativo, serão consideradas não apenas as datas originalmente previstas, mas também as circunstâncias efetivamente verificadas durante a implantação do empreendimento, seus impactos sobre o cronograma e a responsabilidade contratual por cada um dos eventos que contribuíram para sua reprogramação.
A prioridade da Next Mobilidade permanece sendo a conclusão do BRT ABC e a entrega à população de um sistema de transporte moderno, sustentável e estruturante para toda a região do ABC Paulista.
Primeiro trecho proposto para operação vai da Metrópole à Vila Império.
O trecho que a NEXT pretende colocar em funcionamento corresponde ao percurso entre a Parada Metrópole, no Centro de São Bernardo do Campo, e a Vila Império, na região de ligação com São Caetano do Sul.
A nota informa que esse segmento atravessa São Bernardo, Santo André e São Caetano. O percurso contempla o eixo da Avenida Aldino Pinotti e da Avenida Lauro Gomes.
As nove paradas identificadas para essa etapa são:
Ordem no sentido Metrópole–Vila Império Parada
1 Metrópole
2 Aldino Pinotti
3 Senador Vergueiro
4 Winston Churchill
5 Fundação do ABC
6 Afonsina
7 Rudge Ramos
8 Instituto Mauá
9 Vila Império
Essa relação foi divulgada no acompanhamento da primeira etapa do empreendimento.
A proposta atual é de funcionamento assistido, experimental e gratuito. A nota não detalha duração, horários, intervalos, regras de acesso ou data de início.
A concessionária informa que o trecho já possui Licença de Operação emitida pela Cetesb, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. A autorização ambiental mencionada pela empresa integra a preparação do empreendimento, mas a própria NEXT reconhece que ainda precisa concluir providências e obter autorizações para transportar passageiros.
Também afirma ter instalado na garagem de São Bernardo infraestrutura para recarregar até 14 veículos simultaneamente.
A operação desse segmento representaria uma entrega parcial. Os terminais Tamanduateí e Sacomã e a ligação integral prevista no contrato continuariam como etapas a serem concluídas.
Contrato também permitiu renovar linhas da antiga Área 5 e reorganizar responsabilidades
O impasse sobre o BRT envolve um contrato que já produziu mudanças nos serviços existentes.
A antiga Área 5 reunia as linhas metropolitanas das sete cidades do ABC e suas ligações com São Paulo. Durante anos, o sistema conviveu com permissões precárias e tentativas de licitação sem conclusão, além de problemas de conservação e envelhecimento da frota registrados na cobertura do Diário do Transporte.
A incorporação desses serviços à concessão do Corredor ABD criou uma estrutura contratual comum para operação, renovação dos ônibus e investimentos em infraestrutura.
Em agosto de 2021, entraram em circulação 116 ônibus novos. Segundo a EMTU, os veículos incorporaram ar-condicionado, tomadas USB, conexão à internet e elevadores para pessoas com mobilidade reduzida. Para o passageiro, a substituição de ônibus antigos trouxe equipamentos de conforto e acessibilidade e reduziu a dependência de veículos desgastados.
A reorganização atingiu linhas de Diadema, São Caetano, São Bernardo, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O relatório da EMTU registrou a transferência para a concessionária de serviços anteriormente operados por 16 permissionárias.
A qualificação das linhas comuns é, portanto, uma das entregas do arranjo contratual. A construção do BRT permanece uma obrigação adicional, com prazo e condições próprios.
Modelo do ABC tornou-se referência para revisão de concessões, inclusive em Goiânia
A contratação do BRT-ABC foi estruturada como prorrogação antecipada de uma concessão existente, em troca de investimentos e ampliação das obrigações.
O contrato original do Corredor ABD, firmado em 1997, foi prorrogado até 2046. O arranjo incorporou a construção e operação do BRT e os serviços metropolitanos remanescentes da região.
Esse modelo passou a ser mencionado no setor dentro do debate sobre revisão de concessões e a chamada “relicitação”. A distinção jurídica é relevante: no caso do ABC, o instrumento utilizado foi a prorrogação antecipada do contrato existente, e não uma nova concorrência para escolher outro operador.
A cobertura do Diário do Transporte registrou que a revisão da concessão da Região Metropolitana de Goiânia se inspirou no arranjo do BRT-ABC, associando ampliação do prazo contratual a novos investimentos e renovação de frota.
Em agosto de 2023, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por oito votos a três, a constitucionalidade do modelo paulista. A maioria entendeu que a prorrogação de um contrato anteriormente licitado, acompanhada de novos investimentos, poderia ser adotada nas condições analisadas.
A decisão do STF tratou da validade constitucional da contratação. A execução das obrigações, a fiscalização e a apuração de possíveis descumprimentos continuam sob responsabilidade do poder público. Assim, o reconhecimento do modelo não impede a análise administrativa dos atrasos.
Quadro técnico: o que está previsto para o BRT-ABC e o que a NEXT informa ter disponível
Os dados de demanda, capacidade e tempos de viagem são projeções do empreendimento. O serviço integral ainda não está em operação.
Item Característica ou situação
Ligação principal Centro de São Bernardo–Tamanduateí–Sacomã, em São Paulo
Municípios no traçado São Bernardo, Santo André, São Caetano e São Paulo
Extensão de referência Aproximadamente 17,3 km
Variações nas divulgações Há publicações que mencionam 17,5 km ou 17,8 km
Paradas no projeto mais recente divulgado 16 estruturas fechadas
Terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã
Demanda inicial estimada 173 mil passageiros por dia
Capacidade divulgada Até 600 mil passageiros por dia; projeção de capacidade, não demanda inicial
Frota total prevista 92 ônibus elétricos
Composição divulgada 20 ônibus exclusivamente a baterias e 72 E-Trol
E-Trol Veículos capazes de combinar alimentação pela rede aérea e circulação com energia armazenada em baterias
Serviço parador Atendimento a todas as paradas previstas para a operação
Serviço semiexpresso Atendimento a pontos selecionados; a EMTU divulgou oito pontos de atendimento
Serviço expresso Atendimento aos terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã
Tempo de referência do expresso Cerca de 40 minutos na divulgação da EMTU de janeiro de 2025
Outras estimativas de tempo Divulgações posteriores mencionaram menos de 35 minutos para o expresso; desempenho ainda sem aferição comercial
Embarque Em nível, com pagamento antes de entrar no ônibus
Equipamentos previstos nas paradas Climatização, portas de plataforma, informação sobre chegada dos veículos, acessibilidade e monitoramento.
Controle operacional Sistema de Transporte Inteligente, com informações em tempo real para gestão do serviço
Integração em Tamanduateí Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10-Turquesa
Integração no Sacomã Linha 2-Verde do Metrô e Expresso Tiradentes
Primeiro trecho proposto Metrópole–Vila Império
Extensão da primeira operação proposta Aproximadamente 10 km
Paradas da primeira etapa Nove
Frota disponível para essa etapa 20 ônibus elétricos articulados, segundo a nota de 6 de outubro
Recarga na garagem Até 14 veículos simultaneamente, segundo a NEXT
Modalidade inicial proposta Assistida, experimental e gratuita
Data autorizada para início Não informada na resposta
Novo prazo de conclusão integral Em discussão, sem data apresentada pela concessionária
A referência oficial divulgada pela EMTU em janeiro de 2025 reúne extensão, demanda, capacidade, infraestrutura e modalidades de serviço. A composição da frota e as estimativas posteriores foram registradas na cobertura do Diário do Transporte.
Paradas por município: relação original precisa ser diferenciada do projeto de 16 estruturas
O regulamento publicado em março de 2021 enumerava 20 paradas e três terminais. As divulgações posteriores passaram a indicar 16 paradas fechadas.
Por isso, a relação original abaixo permite identificar os pontos previstos no desenho inicial, mas não deve ser apresentada como lista definitiva das 16 estruturas do projeto atualizado. Falta uma relação consolidada que esclareça, ponto a ponto, quais nomes foram mantidos, substituídos ou retirados.
Município ou região de atendimento Paradas e terminais da relação original
São Bernardo Terminal São Bernardo; Metrópole; Aldino Pinotti; Abrahão Ribeiro; Senador Vergueiro; Winston Churchill; Vila Vivaldi; Afonsina; Rudge Ramos
Santo André Fundação do ABC
São Caetano e eixo de ligação com São Paulo Instituto Mauá; Vila Império; Jardim São Caetano; Estrada das Lágrimas; Cerâmica; Goiás
São Paulo CEU Meninos; Almirante Delamare; Alcatis; Albino de Morais; Terminal Tamanduateí; Rua do Grito; Terminal Sacomã
A denominação “Alcatis” e a grafia “Albino de Morais” constam do decreto original. Pontos próximos às divisas atendem bairros de mais de um município; a divisão acima identifica o eixo territorial de atendimento, sem substituir a localização cadastral de cada plataforma. O CEU Meninos fica em São Paulo.
A relação de 20 nomes consta do Decreto estadual nº 65.575, de 18 de março de 2021.
Do monotrilho à caducidade: os principais marcos do projeto
Data ou período O que ocorreu
1997 Assinado o contrato do Corredor Metropolitano ABD, base da posterior prorrogação para incorporar o BRT e as linhas comuns do ABC.
2014 A Linha 18-Bronze foi contratada como monotrilho por meio de parceria público-privada com o Consórcio VemABC.
2015–2018 A etapa preliminar da contratação do monotrilho recebeu sucessivas prorrogações.
Julho de 2019 A gestão João Doria oficializou a substituição do monotrilho pelo BRT, alegando menor custo.
Agosto de 2019 Os conselhos estaduais aprovaram a extinção do contrato da Linha 18.
Dezembro de 2020 A proposta de vincular o BRT à prorrogação do Corredor ABD foi aprovada com condicionantes nos conselhos estaduais.
Março de 2021 Decretos e aditivo estruturaram a concessão até 2046, incorporando o BRT e as linhas da antiga Área 5.
2021 O governo divulgou expectativa de concluir obras no fim de 2022 e iniciar atendimento no começo de 2023.
Agosto de 2021 Entraram em operação 116 ônibus novos nas linhas comuns do ABC.
Os marcos da substituição do monotrilho e da estruturação contratual foram registrados na cobertura histórica do Diário do Transporte.
Data ou período O que ocorreu
Fevereiro de 2022 Começaram as obras do BRT. O governo ainda mantinha previsão de atendimento em 2023.
2022 Prosseguiu a transferência das linhas das antigas permissionárias para a NEXT.
Agosto de 2023 O STF reconheceu a constitucionalidade da contratação por oito votos a três.
Janeiro de 2024 Foi emitida licença de instalação da segunda fase.
Março de 2024 Começaram intervenções da segunda fase na Avenida Lauro Gomes.
30 de novembro de 2024 Data contratual de conclusão posteriormente apontada pela Artesp como descumprida.
Janeiro de 2025 Visita do governo às obras destacou a Parada Metrópole e apresentou previsão de operação no início de 2026.
Agosto de 2025 Foi autuado o procedimento de apuração de inadimplemento que posteriormente chegou à etapa de caducidade.
Outubro de 2025 A concessionária apresentou Plano de Ação com meta de conclusão até outubro de 2026.
Dezembro de 2025 A NEXT anunciou previsão de concluir nove paradas em meados de janeiro de 2026.
As informações sobre início das obras, julgamento, licenciamento e preparação das primeiras paradas constam das publicações do governo e do acompanhamento do Diário do Transporte.
Data ou período O que ocorreu
Março de 2026 O governador Tarcísio de Freitas confirmou procedimento que poderia resultar em caducidade caso as obrigações não fossem cumpridas.
Maio de 2026 Tarcísio reconheceu melhora no ritmo das obras, mantendo a cobrança pela entrega.
Junho de 2026 A NEXT divulgou balanço das intervenções e atribuiu parte dos atrasos a remanejamentos de redes e serviços de terceiros.
Junho de 2026 O governador voltou a manifestar dúvidas sobre a capacidade de entrega integral.
Agosto de 2026 A concessionária divulgou infraestrutura de recarga para os ônibus do BRT.
22 de setembro de 2026 Tarcísio afirmou que o ABC poderia entrar no pacote de novas licitações metropolitanas se a NEXT não entregasse o corredor.
23 de setembro de 2026 Foi publicada decisão da Artesp que rejeitou aumento de remuneração e não reabriu, naquele processo, pedidos sobre cronograma e alterações do projeto. A NEXT informou ter solicitado operação parcial.
5 de outubro de 2026 O Conselho Diretor da Artesp aprovou a abertura do processo administrativo de caducidade.
Manhã de 6 de outubro de 2026 O Diário do Transporte publicou a decisão e seus efeitos sobre a concessão.
6 de outubro de 2026 Em resposta ao Diário do Transporte, a NEXT afirmou discutir reprogramação, reiterou os fatores externos e informou ter frota e recarga para uma operação experimental gratuita.
O acompanhamento de 2026 registrou tanto o reconhecimento de obras executadas como a manutenção das cobranças e dos procedimentos administrativos.
Entrada parcial em operação e conclusão integral são etapas distintas
Para os passageiros, a discussão envolve dois resultados: o aproveitamento da infraestrutura já implantada e a conclusão da ligação aos terminais da capital.
A operação experimental proposta pela NEXT poderia permitir o uso dos primeiros dez quilômetros, caso seja autorizada. A entrega integral deverá completar o percurso e as conexões previstas no contrato.
Na resposta desta terça-feira, a concessionária reafirma o compromisso com a conclusão e diz que as obras continuam em andamento. O processo aberto pela Artesp examinará se as justificativas apresentadas são suficientes diante dos descumprimentos apontados pela fiscalização.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Diario do Transporte











