Logo após o anúncio da demissão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, na última sexta-feira (24/04/20), o presidente Jair Bolsonaro reuniu a equipe ministerial para dar a sua versão sobre alguns fatos.
O presidente da República negou interferência política na Polícia Federal e contou que o ex-ministro tentou negociar uma vaga no Supremo Tribunal Federal em troca do afastamento de Maurício Aleixo, que comandava a Polícia Federal.
Bolsonaro disse ainda que não pediu para ter acesso a processos em andamento e para ele Moro tem compromisso com seu ego.
Diante do posicionamento do presidente da República, o ex-ministro liberou trechos da conversa dele com o presidente da República por whatsapp ao Jornal Nacional.
Na conversa, Bolsonaro afirmou “Mais um motivo para a troca”.
Moro então explicaou que se trata de um inquérito do Supremo Tribunal Federal que está sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, sem qualquer ingerência do diretor-geral da Polícia Federal.
A deputada federal Carla Zambelli (PSL) tentou intermediar o impasse e pediu para Moro – que é seu padrinho de casamento – para aceitar Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência e ex-coordenador de segurança da campanha de Bolsonaro.
A parlamentar prometeu ajudá-lo.
Carla Zambelli falou também sobre a vaga no Supremo Tribunal Federal, ao que o ex-juiz respondeu: “Não estou à venda”.
No domingo (26/4/20), Bolsonaro voltou a rebater críticas sobre o desdobramento da demissão de Moro e a suposta escolha de Alexandre Ramagem para substituir Mauricio Valeixo, principalmente por ser amigo dos filhos: “E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”.
A respeito do vazamento da conversa privada feita pelo ex-ministro Sérgio Moro comigo, deputada Carla Zambelli, para o Jornal Nacional, venho a público afirmar:
– Uma vez dito que: os 57 milhões de votos que Bolsonaro obteve não carregam qualquer apoio de Sérgio Moro, que sequer estava no jogo à época da campanha eleitoral;
– Que meu apoio não muda há anos em relação ao PR Jair Bolsonaro, e que assim permanecerei, leal:
– Não se vazam conversas privativas. Principalmente quando há laços entre estas pessoas.
– Eu sempre defendi os ideais tanto de Bolsonaro, como de Moro, por quem já fui presa e denunciada pela Polícia Federal, o que, inclusive, falo nos prints divulgados e no contexto geral da conversa.
– A sugestão feita, ainda na quinta-feira (23), ao então ministro era a de que eu pudesse conversar com o presidente da República para tentar sugerir o nome de Sérgio Moro para o STF, uma vez que milhões de brasileiros, inclusive eu, no passado, já se posicionaram favoráveis nesse sentido, e ele nunca negou o interesse em ser indicado.
– Ramage era um nome bem aceito pelo então ministro (publicamente dito no pronunciamento desta sexta – 24) e pelo presidente Jair Bolsonaro.
– Seria a intenção de Sérgio Moro tentar me imputar injustamente um crime ao expor à Globo nossa conversa privada, sem o contexto no qual chegaram àquela fase da troca de mensagens, mesmo ele sabendo que não havia nada de ilícito no que conversamos?
– Não existe raiva, mas decepção e mágoa, uma vez que, apesar de nunca ter pensado em deixar a base de apoio do Governo Federal, não se podia esconder a tristeza, nesta sexta, em não ter mais Sérgio Moro como ministro.
– Registro que não tenho o poder ou a função delegada pelo PR para negociar cargos no STF e o ex-ministro sabia bem deste fato.
– Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?
Foto: Luiz Macedo/Agência Câmara








