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Eletra prevê mais de MIL ônibus elétricos em 2027. Fabricante brasileira fez o veículo número 2 mil

30/09/2026
in Noticias, Transporte e Trânsito
Eletra prevê mais de MIL ônibus elétricos em 2027. Fabricante brasileira fez o veículo número 2 mil
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A Eletra deve entregar mais de mil novos ônibus elétricos ao longo de 2027, além dos veículos que a fabricante brasileira já colocou em circulação nos últimos anos. A informação foi revelada com exclusividade ao Diário do Transporte nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, pela diretora-presidente da empresa, Milena Braga Romano. Segundo a executiva, aproximadamente 600 unidades devem ser entregues até março ou abril, há outros cerca de 400 ônibus previstos para os meses seguintes e a expectativa da companhia é receber aproximadamente mais 500 pedidos até o fim de 2027.

A projeção foi apresentada no mesmo dia em que São Paulo ultrapassou a marca de dois mil ônibus elétricos no sistema municipal. Dos 250 veículos apresentados nesta quarta-feira, 94 têm tecnologia Eletra, e o coletivo escolhido para representar simbolicamente o número 2 mil também é da fabricante: um superarticulado de 21,5 metros da Via Sudeste, com tecnologia de tração Eletra, carroceria Caio e plataforma Mercedes-Benz. Para Milena, a expansão da fabricante está diretamente relacionada à nacionalização dos veículos, à engenharia desenvolvida para as condições de operação brasileiras, à disponibilidade de peças e à proximidade do pós-venda com os operadores.

“Eu acho que a gente deve bater mais de mil ônibus entregues no ano que vem”, revelou Milena ao Diário do Transporte.

É importante fazer a distinção: a Eletra não está projetando chegar a mil ônibus elétricos acumulados em 2027. A perspectiva apresentada pela presidente é de entregar mais de mil novos veículos somente durante o próximo ano, que serão acrescentados aos ônibus da marca já produzidos e colocados em circulação anteriormente.

E a quantidade pode superar esse patamar caso a expectativa comercial apresentada pela executiva se confirme.

“Até março, abril, e a gente já tem pedidos de mais 400 para entregar até agosto, setembro, e com certeza vamos ter mais uns 500 pedidos até dezembro de 2027”, afirmou.

Neste último caso, trata-se de uma expectativa de novos pedidos e não de 500 unidades que possam ser somadas neste momento à carteira já mencionada pela fabricante.

DOS 250 ÔNIBUS APRESENTADOS EM SÃO PAULO, 94 TÊM TECNOLOGIA ELETRA

A projeção para 2027 foi revelada durante uma entrega que, por si só, representa um dos maiores movimentos de eletrificação da frota de ônibus paulistana.

São Paulo apresentou nesta quarta-feira 250 novos ônibus elétricos. A frota informada anteriormente pela Prefeitura era de 1.759 unidades, entre veículos a bateria e trólebus. Com o novo lote, a conta alcança 2.009 coletivos elétricos.

Como o Diário do Transporte antecipou, 94 dos 250 veículos apresentados nesta quarta-feira são Eletra.

São 18 ônibus de 15 metros e três eixos, com plataforma Scania, destinados à KBPX; 48 superarticulados da Via Sudeste, com plataforma Mercedes-Benz; 27 ônibus básicos de 12 metros da Move Buss, também sobre plataforma Mercedes-Benz; e um superarticulado destinado à Viação Grajaú.

Assim, mais da metade do lote da Eletra apresentado nesta quarta-feira é formada por veículos de grande capacidade. São 49 superarticulados entre as 94 unidades.

O modelo escolhido para representar o ônibus elétrico número 2 mil pertence à Via Sudeste.

O veículo tem 21,5 metros de comprimento e uma articulação. A categoria comercialmente chamada de superarticulado amplia a capacidade em relação aos ônibus convencionais e padrons e permite que a eletrificação avance também sobre linhas de maior carregamento, nas quais simplesmente substituir um ônibus grande por um elétrico menor poderia reduzir a oferta de lugares aos passageiros.

O número 2 mil repete ainda uma coincidência industrial.

O ônibus que representou o marco de mil elétricos em São Paulo, apresentado em novembro de 2025, também tinha tecnologia Eletra. Era um modelo de 15 metros da Transpass. Agora, a fabricante aparece novamente no marco seguinte, desta vez com um veículo de 21,5 metros.

Para Milena, a marca alcançada nesta quarta-feira ultrapassa a importância para a própria fabricante.

“Esse marco dos 2 mil ônibus é muito significativo. A gente alcançar esse número, uma das maiores frotas do mundo, numa cidade de São Paulo, maior do Brasil, uma das maiores do mundo, então é uma alegria enorme ver como está evoluindo rápido a eletromobilidade no nosso País”, disse.

MAIS DE MIL NOVOS ELETRA EM 2027: PRIMEIRO GRANDE BLOCO DE 600 DEVE SER ENTREGUE ATÉ MARÇO OU ABRIL

A informação obtida pelo Diário do Transporte mostra que a escala de produção deverá continuar crescendo depois das entregas realizadas em 2026.

Milena Braga Romano informou que a fábrica já trabalha com uma perspectiva de aproximadamente 600 novos ônibus para entrega até março ou abril de 2027.

“Só hoje, 100 ônibus, e a perspectiva de entrega de mais 600 até março de 2027. Já há pedidos para a nossa fábrica”, afirmou a executiva durante a entrevista.

Na sequência, segundo Milena, existem pedidos de aproximadamente outras 400 unidades para entrega até agosto ou setembro.

Somados, esses dois blocos já colocam a projeção ao redor de mil ônibus.

Mas a presidente acredita que o ano não terminará nesse patamar. A expectativa comercial é de que aproximadamente outros 500 pedidos possam ser acrescentados até dezembro.

Isso significa que há três estágios diferentes que precisam ser considerados: os aproximadamente 600 veículos previstos para os primeiros meses; cerca de 400 unidades para a etapa seguinte do ano; e uma expectativa de aproximadamente 500 novos pedidos adicionais até dezembro.

O crescimento ocorre depois de a Eletra ampliar sua estrutura industrial em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A unidade possui capacidade anunciada para até 1.800 ônibus elétricos por ano e a empresa vem investindo também no desenvolvimento de uma nova geração de plataformas próprias.

Na Lat.Bus 2026, realizada em agosto, a companhia apresentou uma nova geração de chassis elétricos, além de um articulado com carroceria e-BRT Millennium da Caio, um novo midi de dez metros e uma plataforma de 21,5 metros destinada ao e-Trol.

A empresa anunciou investimentos superiores a R$ 270 milhões, dos quais mais de R$ 70 milhões estão relacionados ao desenvolvimento da nova geração de chassis e mais de R$ 200 milhões à implantação de uma nova fábrica.

A perspectiva apresentada agora por Milena para 2027 ajuda a dimensionar a utilização dessa capacidade industrial.

POR QUE OS OPERADORES ESTÃO ESCOLHENDO ÔNIBUS NACIONAIS? MILENA APONTA ENGENHARIA, PEÇAS, ADAPTAÇÕES E PÓS-VENDA

O crescimento da Eletra ocorre num mercado que ganhou novos fabricantes e tecnologias nos últimos anos.

Há ônibus de diferentes origens disponíveis no Brasil, incluindo veículos desenvolvidos e fabricados nacionalmente, produtos de grupos internacionais industrializados no País e modelos importados.

No primeiro semestre de 2026, dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) já mostravam a força da combinação Eletra/Caio: foram 224 ônibus elétricos emplacados, equivalentes a 38% dos 589 registros nacionais no período. São Paulo concentrou 429 dos 589 ônibus elétricos emplacados no Brasil entre janeiro e junho, ou 72,8%.

Questionada pelo Diário do Transporte sobre o motivo pelo qual operadores têm escolhido produtos nacionais, Milena relacionou a decisão não apenas à origem dos veículos, mas principalmente à adequação deles à realidade operacional brasileira.

“Porque o nosso ônibus foi desenvolvido para a infraestrutura nacional, com peças nacionais. O índice de nacionalização do nosso ônibus é 93%”, afirmou.

Para a executiva, a presença da engenharia e da cadeia de fornecedores no País permite também responder mais rapidamente às necessidades específicas de cada sistema de transporte.

“Todas as peças são brasileiras, a engenharia é brasileira, as adaptações que precisam ser feitas são brasileiras. A gente é muito ágil e rápido em criação de novos produtos, em desenvolver produtos personalizados para cada região, para cada tipo de operação, e isso faz total diferença”, disse.

Essa proximidade pode ser especialmente importante no transporte coletivo.

Um ônibus urbano não trabalha em condições equivalentes às de um automóvel. Dependendo da linha, pode cumprir centenas de quilômetros por dia, transportar sucessivas lotações, enfrentar aclives, trânsito intenso, altas temperaturas, uso contínuo de ar-condicionado e dezenas ou centenas de ciclos de abertura das portas.

Também existem diferenças entre cidades e até entre linhas de um mesmo sistema.

Por isso, autonomia anunciada, capacidade das baterias e potência do motor são apenas partes do projeto. A escolha do ônibus precisa considerar o itinerário, topografia, quantidade de passageiros, quilometragem diária, intervalos, tempo disponível para recarga, características da garagem e infraestrutura elétrica.

É nesse ponto que Milena diz estar uma das vantagens da engenharia local: a possibilidade de alterar rapidamente configurações e desenvolver veículos para diferentes aplicações.

ELETRA CONSULT ESTUDA A OPERAÇÃO ANTES DE O ÔNIBUS CHEGAR À LINHA

Outro ponto destacado pela presidente é que a eletrificação não termina na venda do ônibus.

A empresa mantém a Eletra Consult, estrutura que realiza estudos de operação, planejamento e energia para operadores e gestores.

O objetivo é avaliar previamente como o ônibus elétrico será inserido no serviço.

Isso é particularmente relevante porque eletrificar uma garagem não significa apenas substituir um veículo a diesel por outro movido a bateria.

É necessário saber quanto cada ônibus percorre, quanto consome, quando retorna à garagem, por quanto tempo permanece parado e qual potência estará disponível para recarregar simultaneamente dezenas ou centenas de veículos.

Segundo Milena, esse trabalho começa antes mesmo da entrega.

“A gente faz todo o estudo de operação, de planejamento, de energia. A gente entrega o projeto completo para os operadores e para o governo”, explicou.

Depois da entrega, o trabalho inclui treinamento de manutenção, motoristas e equipes de operação, além do acompanhamento de pós-venda.

“Após a venda do ônibus, a gente faz todo o acompanhamento, todo o treinamento, toda a instrução de manutenção, de motorista, de operação”, disse.

Para um operador, a disponibilidade do veículo é um indicador fundamental. Um ônibus que permanece imobilizado por falta de componente ou assistência não produz viagens, independentemente da tecnologia utilizada.

É justamente nesse ponto que a presidente relaciona nacionalização e pós-venda.

DE SÃO BERNARDO DO CAMPO PARA A ELETRIFICAÇÃO DOS ÔNIBUS BRASILEIROS

A história da Eletra antecede a atual expansão dos ônibus movidos exclusivamente por baterias.

A empresa foi criada no ABC Paulista e iniciou sua trajetória no desenvolvimento de sistemas de tração elétrica para ônibus num período em que eletrificação do transporte coletivo brasileiro estava essencialmente associada aos trólebus e a experiências com veículos híbridos.

A Eletra foi oficialmente inaugurada em agosto de 2000, em São Bernardo do Campo.

Ao longo de sua trajetória, trabalhou com trólebus, sistemas híbridos, ônibus elétricos a bateria e diferentes combinações de alimentação elétrica.

Em 2013, por exemplo, Eletra e WEG já participavam do desenvolvimento de um ônibus articulado de 18 metros totalmente elétrico a bateria. O projeto utilizava engenharia e integração da Eletra e equipamentos de tração da WEG.

A experiência acumulada passou posteriormente a sustentar uma família de veículos destinada à produção em escala.

A estratégia industrial adotada pela empresa durante grande parte dessa trajetória foi diferente da fabricação integral tradicional: a Eletra especializou-se em integrar o sistema de tração elétrica a plataformas de fabricantes já consolidados no mercado de ônibus.

Isso permitiu combinar fornecedores brasileiros e empresas multinacionais com produção industrial instalada no País.

Mais recentemente, a companhia avançou também sobre o desenvolvimento de sua própria linha de chassis elétricos, ampliando sua atuação dentro do veículo.

CAIO, WEG, MERCEDES-BENZ E SCANIA FORMAM A CADEIA INDUSTRIAL DOS E-BUS

A configuração dos ônibus ajuda a entender o índice de nacionalização mencionado por Milena.

A Eletra responde pela engenharia de eletrificação e pela integração dos sistemas.

A Caio, tradicional fabricante brasileira sediada em Botucatu (SP), fornece carrocerias para grande parte da família e-Bus. Entre elas está a eMillennium utilizada nos veículos urbanos elétricos e a nova configuração e-BRT Millennium apresentada para aplicações de alta capacidade.

A WEG fornece componentes centrais do sistema elétrico, entre eles motores, inversores e baterias. A parceria entre Eletra e WEG remonta às primeiras experiências da fabricante com ônibus integralmente movidos a bateria e foi ampliada à medida que a produção ganhou escala.

Mercedes-Benz e Scania participam fornecendo plataformas para diferentes categorias.

No caso da Mercedes-Benz, a cooperação abrange desde modelos menores e padrons até os superarticulados de 21,5 metros e o e-Trol.

A Scania está presente principalmente nas configurações de 15 metros e três eixos. É justamente esta combinação que equipa os 18 veículos destinados à KBPX apresentados nesta quarta-feira em São Paulo.

Dessa forma, um mesmo fabricante de tecnologia de tração consegue oferecer ônibus com diferentes plataformas de acordo com as características de cada operação.

A declaração de Milena sobre os 93% de nacionalização ganha relevância justamente nesse contexto. A fabricante defende que não se trata apenas de montar o ônibus no Brasil, mas de manter no País parcela significativa da engenharia, dos componentes e da capacidade de alterar o projeto conforme as necessidades da operação.

PORTFÓLIO VAI DO MIDI AO SUPERARTICULADO E INCLUI E-TROL, ESCOLAR E NOVA LINHA DE CHASSIS

A diversificação tornou-se um dos pontos centrais da estratégia da Eletra.

O portfólio desenvolvido nos últimos anos contempla diferentes comprimentos, capacidades e tipos de piso para atender desde linhas alimentadoras de bairros até corredores de grande carregamento.

Entre as configurações apresentadas pela fabricante estão:

* Midi elétrico de 10 metros, destinado principalmente a operações alimentadoras e linhas que exigem veículos menores;

* Básico elétrico de aproximadamente 12 metros, com configurações de piso alto e baixo;

* e-Bus de 12,1 metros;

* Padron elétrico de aproximadamente 12,5/12,8 metros, de piso baixo;

* Padron de 15 metros e três eixos, disponível em configurações de piso alto ou baixo;

* Articulado/superarticulado elétrico de 21,5 metros, com versões para diferentes aplicações;

* e-Trol de 21,5 metros, que combina alimentação pela rede aérea com baterias embarcadas, permitindo ao veículo carregar enquanto circula sob a rede e continuar a viagem desconectado dos fios;

* Escolar elétrico, desenvolvido em diferentes configurações;

* linha própria de chassis elétricos, que amplia a atuação da Eletra para além da integração realizada sobre plataformas de outras fabricantes;

* soluções de retrofit, destinadas à conversão de veículos originalmente equipados com motores a combustão para tração elétrica.

Na Lat.Bus 2026, a companhia também mostrou um novo midi de dez metros com carroceria Mascarello, demonstrando que a expansão das parcerias não fica restrita às configurações já consolidadas.

A amplitude da família é importante porque um sistema como o de São Paulo não pode ser eletrificado com um único tamanho de ônibus.

Há linhas locais atendidas por veículos menores, serviços estruturais com ônibus básicos e padrons, trajetos que necessitam de modelos de 15 metros e corredores em que articulados e superarticulados são necessários para preservar a capacidade de transporte.

Os 94 ônibus apresentados nesta quarta-feira ilustram essa diversidade: dentro de uma mesma entrega há veículos de 12 metros, ônibus de 15 metros com três eixos e superarticulados de 21,5 metros.

Essa variedade também se relaciona à explicação dada por Milena para a preferência pela solução nacional: segundo a presidente, a possibilidade de desenvolver “produtos personalizados para cada região, para cada tipo de operação” é uma das características que diferenciam a atuação da empresa.

DO MILÉSIMO AO 2 MIL: ELETRA ESTEVE NOS DOIS MARCOS

A presença da Eletra no ônibus escolhido para representar a unidade número 2 mil de São Paulo tem um componente histórico adicional.

Quando a cidade alcançou a marca de mil ônibus elétricos, em novembro de 2025, o veículo representativo também tinha tecnologia Eletra: um ônibus de 15 metros da Transpass.

Agora, menos de um ano depois, o número 2 mil é um superarticulado da Via Sudeste.

A diferença entre os dois veículos também mostra como a eletrificação começou a alcançar operações de maior capacidade.

Os primeiros lotes em escala da atual geração de ônibus a bateria em São Paulo eram formados principalmente por veículos convencionais. A entrada de padrons de 15 metros e, posteriormente, superarticulados de 21,5 metros permite substituir ônibus de maior capacidade sem necessariamente aumentar o número de veículos necessários para transportar a mesma demanda.

Milena destacou durante a entrevista a coincidência dos dois marcos.

Ao ser lembrada de que o ônibus número mil foi um Eletra de 15 metros da Transpass, confirmou:

“Foi a Transpass.”

E, ao ser questionada pelo Diário do Transporte se a fabricante pretende repetir o feito quando São Paulo alcançar três mil ônibus elétricos, respondeu:

“Tenho certeza que sim. Vamos trabalhar muito para ser.”

A diretora-presidente da Eletra, Milena Braga Romano, falou com exclusividade ao Diário do Transporte sobre a previsão de mais de mil novos ônibus elétricos da fabricante em 2027. Na entrevista, a executiva também explicou por que, na avaliação dela, operadores vêm escolhendo a tecnologia nacional e falou sobre a presença da Eletra nos veículos que simbolizaram as marcas de mil e dois mil ônibus elétricos na cidade de São Paulo.

A seguir, a entrevista:

ADAMO BAZANI – O contato no Diário do Transporte é com Milena Romano, que vai falar da participação da Eletra nessa entrega, participação expressiva, e o ônibus número 2 mil é de tecnologia Eletra.

MILENA ROMANO – Adamo, hoje foi um grande dia para a eletromobilidade, acho que mundial, não é nem nacional, porque esse marco dos 2 mil ônibus é muito significativo. A gente alcançar esse número, uma das maiores frotas do mundo, numa cidade de São Paulo, maior do Brasil, uma das maiores do mundo, então é uma alegria enorme ver como está evoluindo rápido a eletromobilidade no nosso País. Bom para o passageiro, bom para o governo, bom para o meio ambiente, bom para a indústria nacional, eu acho que é um ganha-ganha para todos. Então é um orgulho que a gente tem aqui, tem tido mês a mês em todas essas entregas, especialmente hoje, o nosso ônibus sendo o número 2 mil.

ADAMO BAZANI – Cerca de 100 ônibus só hoje.

MILENA ROMANO – Só hoje, 100 ônibus, e a perspectiva de entrega de mais 600 até março de 2027, já há pedidos para a nossa fábrica.

ADAMO BAZANI – 700 recentes.

MILENA ROMANO – 700 recentes. Eu acho que a gente deve bater mais de mil ônibus entregues no ano que vem.

ADAMO BAZANI – A Eletra lidera o mercado em São Paulo e no Brasil. Por que o empresário, por que o operador tem preferido uma indústria nacional, uma tecnologia do Brasil?

MILENA ROMANO – Porque o nosso ônibus foi desenvolvido para a infraestrutura nacional, com peças nacionais, o índice de nacionalização do nosso ônibus é 93%. Então, todas as peças são brasileiras, a engenharia é brasileira, as adaptações que precisam ser feitas são brasileiras. A gente é muito ágil e rápido em criação de novos produtos, em desenvolver produtos personalizados para cada região, para cada tipo de operação, e isso faz total diferença. Além do pós-venda, que a gente tem um pós-venda muito forte, após a venda do ônibus, a gente faz todo o acompanhamento, todo o treinamento, toda a instrução de manutenção, de motorista, de operação, além da Eletra Consult, que é o trabalho inicial, que a gente faz todo o estudo de operação, de planejamento, de energia, a gente entrega o projeto completo para os operadores e para o governo. Então, isso também faz muita diferença.

ADAMO BAZANI – Então, em 2027, fácil vai chegar a mil, 600 mais ou menos em março, abril.

MILENA ROMANO – Até março, abril, e a gente já tem pedidos de mais 400 para entregar até agosto, setembro, e com certeza vamos ter mais uns 500 pedidos até dezembro de 2027.

ADAMO BAZANI – O mil foi Eletra, que foi aquele de 15 metros.

MILENA ROMANO – Foi a Transpass.

ADAMO BAZANI – O 2 mil, superarticulado. 3 mil, será que vai ser a Eletra também?

MILENA ROMANO – Tenho certeza que sim. Vamos trabalhar muito para ser.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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