Microempresas e empresas de pequeno porte entram na reta final para decisões que terão impacto na tributação em 2027. O prazo termina na quarta-feira (30) e envolve tanto empresas que pretendem ingressar no Simples Nacional no próximo ano quanto aquelas que precisam definir como será feito o recolhimento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A mudança faz parte da implementação da Reforma Tributária sobre o Consumo.
Pela primeira vez, a opção para ingresso no Simples Nacional deixou de ocorrer em janeiro e foi antecipada para setembro do ano anterior. Empresas que já fazem parte do regime não precisam realizar uma nova opção para permanecer nele, salvo situações específicas, como registro de exclusão futura. Já as empresas que atualmente estão fora do Simples e pretendem ingressar em 2027 precisam fazer a solicitação até o fim deste mês.
Para Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, o novo cenário exige que a discussão tributária faça parte do planejamento do negócio e não seja tratada apenas como uma obrigação contábil.
“O pequeno empresário normalmente conhece muito bem o próprio negócio, mas não necessariamente precisa conhecer profundamente contabilidade, tributação e legislação. O papel do contador é fazer essa tradução e permitir que ele tome decisões com segurança. E acredito que a Reforma Tributária vai ampliar muito essa necessidade.”
Outra decisão prevista para setembro envolve empresas optantes pelo Simples Nacional. Elas podem manter IBS e CBS dentro do regime simplificado ou optar pela apuração dos dois tributos pelo regime regular, fora do DAS. Para que essa escolha produza efeitos no primeiro semestre de 2027, a manifestação precisa ocorrer até 30 de setembro. Quem não fizer a opção permanece com IBS e CBS dentro do Simples.
A decisão não deve ser tomada apenas pela comparação de alíquotas. Entre os pontos que precisam entrar na análise estão faturamento, despesas que podem gerar créditos, participação da folha nos custos, perfil dos clientes, peso das vendas para outras empresas e impacto sobre preço, margem e fluxo de caixa.
“A melhor preparação é transformar a reforma em decisões concretas de preço, contratação, investimento e reserva de caixa”, afirma Anderson Diogenes Pavanello.
O aproveitamento de créditos de IBS e CBS ganha importância principalmente nas relações entre empresas. Dependendo da estrutura do negócio e de sua posição na cadeia produtiva, o tratamento dos créditos pode interferir na formação de preços e até na negociação com clientes.
“Crédito tributário pode reduzir imposto, mas não deve ser confundido com dinheiro imediatamente disponível para pagar a folha”, explica Anderson Diogenes Pavanello.
Decisão precisa partir dos números da própria empresa
Não existe uma escolha única que possa ser aplicada a todas as empresas do Simples Nacional. Negócios com maior volume de operações B2B e despesas capazes de gerar créditos podem apresentar uma realidade diferente daquela encontrada em empresas de serviços com poucos créditos ou voltadas predominantemente ao consumidor final.
“A preparação começa com uma simulação do negócio real. A escolha tributária do concorrente pode ser inadequada para a sua academia”, afirma Anderson Diogenes Pavanello.
Além da tributação, o fluxo de caixa também precisa fazer parte das projeções para 2027. A entrada das novas regras exige que o empresário avalie não apenas quanto poderá pagar em tributos, mas quando os recursos estarão efetivamente disponíveis para cumprir as obrigações da empresa.
“O empresário precisa saber quanto sobra de cada mensalidade e em qual data poderá usar esse dinheiro”, completa Anderson Diogenes Pavanello.
Com o prazo se aproximando, a orientação é levantar os dados da operação e realizar as simulações antes de formalizar qualquer mudança. A análise deve considerar as características de cada empresa e os efeitos que a opção poderá produzir sobre tributação, créditos, preços e caixa a partir de 2027.
Sobre o Meu Contador Online
Com origem na tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP), o Meu Contador Online combina experiência, tecnologia e atendimento humano. A empresa possui cerca de 4,7 mil clientes ativos, distribuídos por 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
Com aproximadamente 80 profissionais, atende principalmente micro e pequenas empresas, sendo 84,4% da carteira formada por optantes do Simples Nacional. A operação tem forte presença entre prestadores de serviços e oferece soluções para abertura de empresas, troca de contabilidade, migração de MEI para ME e rotinas contábeis, fiscais e trabalhistas.
O modelo utiliza tecnologia para simplificar processos e manter o contato direto entre empresários e profissionais responsáveis por suas empresas.
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