O Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, em Santo André, recebe nesta sexta-feira (4) o show do multiartista Dunstin Farias, em ‘A era da ira de Ururay’. No espetáculo, que resgata origens indígenas e suas linguagens, ele descobre maneiras de canalizar seus sentimentos e gerar o encontro de memórias e histórias de territórios por meio da arte.
As composições de Dunstin possuem forte característica cronista. Entre suas vivências no território de Ururay, o artista denuncia mazelas sociais presentes nas periferias paulistanas e também celebra a diversidade, sonhos e potência presentes nas vidas de quem nasce e vive às margens da cidade. Sua escrita também se revela como forte instrumento de pesquisa e fortalecimento de sua retomada indígena, identidade e autoestima.
Dunstin Farias, 26 anos, é multiartista, indígena, nascido e criado no Jardim Romano, localizado no extremo leste de São Paulo, no limite com os municípios de Guarulhos e Itaquaquecetuba, considerado o último bairro da região. Atua em diversas linguagens artísticas, desde arte-educador, rapper/MC, compositor, ator, sonoplasta e produtor cultural. É idealizador do projeto “Jardim Rimano” e “Meu rumo é a rima”, ambos voltados à cultura hip hop.
Cinemão de Quinta exibe filmes gratuitos no Cine Theatro Carlos Gomes
A Secretaria de Cultura de Santo André promove em abril o Cinemão de Quinta, com exibição de filmes gratuitos no Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes. O evento será realizado em três quintas-feiras do mês, nos dias 3, 10 e 17, sempre às 19h30.
A programação traz no dia 3 o filme “Olhar de Cícera”, documentário brasileiro de 2022. Um filme mergulhador no cotidiano dos moradores do acampamento do MST (Movimento dos Sem Terra) “Marielle Vive!” em Valinhos/SP. A narrativa é guiada por Cícera Alves Bezerra, uma professora aposentada que decidiu deixar a segurança do seu lar para criar uma nova história e ressignificar sua existência. Através da perspectiva de Cícera, o documentário revela a vida das pessoas que escolheram viver nesse espaço, destacando seu respeito pela terra e pelo meio ambiente. O filme mostra como é possível estabelecer formas colaborativas de relacionamento e promover verdadeiras transformações sociais.
A semana seguinte oferece um longa e um curta-metragem, ambos oriundos do México. O primeiro se chama “Coração Mezquite”, um drama mexicano de 2019, com indicação livre. A história traz Lucía, uma menina Yoreme do norte do México, que sonha em curar o coração partido de seu pai tocando harpa, que tradicionalmente é tocada apenas por homens em sua comunidade. Na sequência será exibida “Sem lágrimas para chorar”, de 2023, e também sem restrições de idade. A obra acompanha Maria Luisa, que enfrenta a ansiedade de perder a vida que havia planejada, depois que sua entrevista para o green card (residente permanente) toma um boato inesperado.
Por fim, no dia 17, outras duas películas mexicanas. A primeira obra a ser exibida será “Giro Polar”, um documentário de estreia de José Emilio Ramos Gómez, retratando a aurora boreal do Alasca, destacando a importância de se afastar do ambiente rotineiro para se aproximar da natureza, e assim se autodescobrir. À noite o curta-metragem “O que é a Guerra?”, uma animação que apresenta a pequena Marina, que foi deixada prisioneira em um quarto após um bombardeio. Ela procurará por todos os meios fora daquele lugar frio e solitário.
As exibições são fruto da parceria entre a Escola Livre de Cinema e Vídeo (ELCV) e o Museu da Imagem e do Som (MIS) através dos Pontos MIS.