A 5ª Feira Literária de Ribeirão Pires (FLIRP) movimentou o Mirante Santo Antônio neste sábado (26), reunindo escritores, artistas, leitores, agentes culturais e famílias em uma programação que conectou literatura a diferentes manifestações artísticas. Promovido pela Prefeitura de Ribeirão Pires, por meio da Secretaria de Cultura, o evento prossegue neste domingo (27), com entrada gratuita.
Com o tema “Do desenho à palavra”, a FLIRP 2026 reúne mais de 100 convidados e amplia o diálogo entre literatura, artes visuais, música, desenho, quadrinhos, teatro, artesanato e oralidade. A edição também marca a estreia do Mirante Santo Antônio como espaço de realização da feira e conta com a curadoria de Carlos Lopes Galego, jornalista, escritor, editor e artista visual.
Homenageada desta edição, a escritora, poeta, editora e ativista cultural Dalila Teles Veras destacou sua relação afetiva e cultural com Ribeirão Pires e com o Grande ABC. Ao relembrar o projeto “Sete anos, sete cidades”, em que dedicou um mês de atividades culturais a cada município da região, a escritora afirmou que, para ela, “Ribeirão Pires é o ABC”, ressaltando o sentimento de pertencimento regional.
Dalila também celebrou o fato de receber a homenagem em vida e relembrou momentos de sua trajetória ligados à cidade. A relação familiar com o território também foi mencionada pela escritora, que contou que sua família mantém uma casa às margens da represa, na área do atual Corredor Polonês, que no passado pertenceu a Ribeirão Pires e hoje integra Santo André.
Durante a programação, o prefeito Guto Volpi, acompanhado do secretário de Cultura, Erike Busoni, entregou uma homenagem à escritora, reconhecendo sua trajetória e sua relação com a cidade e com a região.
“O Mirante Santo Antônio vem se fortalecendo cada vez mais como um espaço de eventos da nossa cidade, e receber a FLIRP nesse cenário amplia ainda mais essa vocação. A literatura, a cultura e o encontro com os escritores ajudam a aproximar a população desse patrimônio e fortalecem Ribeirão Pires como destino cultural”, destacou Guto Volpi.
A programação deste sábado contou também com a participação do escritor Ferréz, que integrou a mesa “Literatura, da Escrita à Vida”. Após o encontro, o autor, conhecido por obras como “Capão Pecado” e “Manual Prático do Ódio”, atendeu leitores para autógrafos e conversas.
“É a primeira vez que participo da FLIRP. A cidade, assim como o evento, são acolhedores. Encontrei leitores dos meus livros, amigos e também vou aproveitar para levar exemplares novos para casa”, comentou Ferréz.
A produção literária local também esteve representada por autores como Rosiane Andrade Werly Gonçalves, professora PDI da Escola Municipal Olivia Marques Petrilli. Na feira, ela apresentou os livros “A Florzinha Teimosa”, “Advogada Menina ou Menina Advogada” e “Professora Coruja”, obras inspiradas em experiências do cotidiano e na convivência com as crianças.
“Eu sei o que a criança gosta, mas o que a criança gosta eu também gosto”, contou a autora, que explicou que “A Florzinha Teimosa” nasceu a partir de uma flor observada por seu tio em uma parede e ganhou novos sentidos durante uma viagem planejada à Holanda. A obra aborda temas como rotina, mudanças e respeito às particularidades de cada pessoa.
Fechando as mesas literárias, Daniel Munduruku trouxe uma reflexão sobre identidade, memória e resistência dos povos indígenas. Como destacou, antes da Constituição de 1988, os indígenas não eram reconhecidos plenamente como brasileiros e eram pressionados a abandonar suas identidades ancestrais para assumir uma identidade imposta. A partir de 1988, conquistaram o direito de ser reconhecidos como brasileiros indígenas, preservando sua história, cultura e pertencimento. Nesse processo, a oralidade ocupa um papel fundamental: é a pedagogia indígena, o caminho pelo qual saberes, histórias e conhecimentos são transmitidos entre gerações. “A literatura indígena nasce também dessa força, transformando a palavra em instrumento de memória, identidade e afirmação cultural”.
Programação continua neste domingo – A FLIRP 2026 prossegue neste domingo (27), a partir das 10h, com atividades para diferentes públicos e linguagens:
10h — Camerata de Cordas da EMARP
11h — Caixa de Quadrinhos — Emilio Garcia, Carlos Ruas e Mila Massuda
11h30 — ALERP: Valdemir Carmo — Obra de Guimarães Rosa
12h30 — Tela Viva
13h — Tom Cardoso e Gonçalo Junior — Biografias, Memória e Literatura
14h — Renato Neves — Live Paint
14h30 — ALERP: Valéria Aveiro — Roda de Conversas
15h — Tarso de Melo e Fabiano Calixto — Uma conversa sobre poesia
16h — Thina Curtis — Da ideia à publicação
16h20 — Música Popular da EMARP
17h — Anderson Gomes — A poesia expandida de Anderson Gomes
Para facilitar o acesso do público, a Prefeitura disponibiliza transporte gratuito entre a região central e o Mirante Santo Antônio durante o evento.
A FLIRP é realizada pela Prefeitura de Ribeirão Pires e tem entrada gratuita. O Mirante Santo Antônio fica na Rua Bela Vista, 105, Jardim Mirante.
Foto: Divulgação PMRP










