Criar espaços de escuta, fortalecer vínculos de confiança e promover o envolvimento de quem vive no território são etapas fundamentais para planejar um processo de intervenção em um espaço urbano. Em Mauá (SP), esse é o ponto de partida da parceria entre o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e a Prefeitura de Mauá no âmbito do Programa Periferia Viva, que desenvolve, desde janeiro, abordagens participativas para promover iniciativas de melhoria urbana junto à comunidade Chafick-Macuco.
A iniciativa contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11 da Agenda 2030 da ONU, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Entre suas metas está o fortalecimento das capacidades para o planejamento e a gestão participativa dos territórios, reconhecendo que processos construídos em conjunto com a população favorecem políticas públicas mais efetivas e duradouras.
Na prática, promover engajamento vai muito além da realização de reuniões. As metodologias desenvolvidas pelo ONU-Habitat incluem estratégias de mobilização comunitária, escuta ativa, comunicação territorial, mapeamento de lideranças locais e criação de canais permanentes de diálogo. O objetivo é garantir que diferentes grupos sociais possam contribuir com a identificação de desafios, potencialidades e prioridades para o território.
No início do processo de mobilização, um dos desafios encontrados foi a dificuldade de articulação entre grupos locais, atrelado a uma baixa participação comunitária. Para superá-lo, foi necessária uma aproximação do cotidiano dos moradores: o Posto Territorial em Movimento é uma estratégia itinerante que passou a ocupar diferentes pontos do território, levando informação, orientação e escuta para locais de maior circulação da comunidade. A iniciativa já resultou em dezenas de atendimentos diretamente nas ruas da Chafick-Macuco.
As ações também incluíram campanhas de mobilização porta a porta, distribuição de materiais informativos, articulação com lideranças comunitárias e organizações locais e a criação de um grupo de WhatsApp com mais de 70 moradores, além da realização de atividades junto a equipamentos públicos. Com esse conjunto de iniciativas, foi possível ampliar o alcance das informações e favorecer a participação de públicos que tradicionalmente ficam distantes das atividades de planejamento urbano.
“Observamos um maior reconhecimento da equipe por parte dos moradores e uma relação de confiança que vem sendo construída gradualmente, refletida na maior aproximação da população com o projeto. É cada vez mais frequente a procura espontânea dos moradores para esclarecer dúvidas, apresentar demandas e contribuir com informações. Também percebemos uma participação mais qualificada nas atividades, com discussões voltadas não apenas aos problemas existentes, mas também à elaboração coletiva de soluções e à definição de prioridades para o futuro da Chafick-Macuco”, destaca Edna Cunha, analista de programas do ONU-Habitat.
Quem mora na comunidade conta uma experiência parecida. “Ter a oportunidade de participar das decisões sobre o meu bairro faz muita diferença. Todo mundo lutando pelo mesmo objetivo, sabendo que as melhorias são para todos nós. E o que mais me chamou atenção, no meio disso tudo, foi a dedicação da equipe do ONU-Habitat em fazer esse trabalho acontecer”, destacou a moradora Tatiana Coelho.
A atenção da equipe também é o que mais marca a moradora Luzineide Monteiro. “Ter uma equipe próxima, disposta a ouvir e orientar dá mais segurança para participar das reuniões e acompanhar o processo”, afirmou.
Com isso, a comunidade tem adotado uma postura cada vez mais engajada, reflexo de um trabalho contínuo de aproximação – que vai se consolidar por meio de contribuições com o plano de ação do Programa Periferia Viva Mauá, documento para orientar as futuras intervenções no território.
Como propõe o ODS 11, construir cidades mais inclusivas, que reflitam melhor as necessidades locais, passa pela participação de quem vive o território. A experiência em Mauá tem demonstrado isso na prática, buscando garantir que a comunidade tenha voz ativa e seja o centro de todo o projeto de melhorias na Chafick-Macuco.
Legenda: Equipe do ONU-Habitat conversa com moradoras da Chafick-Macuco durante atividade de mobilização realizada em diferentes localidades do território, em Mauá (SP). Crédito: Salmom Lucas/ONU-Habitat
Legenda: Moradores participam de uma atividade do Posto Territorial em Movimento, estratégia itinerante do ONU-Habitat que leva informação, orientação e espaços de diálogo a diferentes pontos da Chafick-Macuco, em Mauá (SP). Crédito: Salmom Lucas/ONU-Habitat
Legenda: A escuta ativa e o diálogo com moradores são parte dos processos participativos desenvolvidos pelo ONU-Habitat para a construção coletiva de prioridades para a Chafick-Macuco, em Mauá (SP). Crédito: Salmom Lucas/ONU-Habitat
Legenda: A mobilização porta a porta é uma das estratégias utilizadas pelo ONU-Habitat para ampliar o acesso à informação e fortalecer a participação dos moradores da Chafick-Macuco, em Mauá. Crédito: Evandro Filho/ONU-Habitat










