A atriz Regina Duarte aceitou convite do presidente Jair Bolsonaro para comandar a Secretaria Especial da Cultura.
O órgão, no entanto, não deverá ganhar de volta o status de ministério.
Para não desprestigiar a atriz global, a ideia avaliada no Palácio do Planalto é retirar a estrutura federal do Ministério do Turismo.
A equipe de Bolsonaro quer vincular a estrutura da Cultura diretamente à Presidência da República.
Desse modo, Regina Duarte não ficaria subordinada a um ministro.
A ideia do Palácio do Planalto é promover, após a visita de Regina Duarte à secretária especial, uma entrevista à imprensa para anunciar oficialmente a sua entrada no governo.
No fim da tarde desta segunda-feira (20/01/20), Bolsonaro comentou a indicação da atriz para a função na portaria do Palácio da Alvorada, onde costuma cumprimentar apoiadores e conceder entrevistas coletivas à imprensa.
– Fiquei noivo da Regina Duarte. Fiquei noivo dela. Tivemos uma conversa bacana – afirmou o presidente.
Em comunicado, o Planalto afirmou que “após conversa produtiva com o presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira, 22, para conhecer a Secretaria Especial da Cultura do governo federal.
– Estamos noivando – disse a artista após o encontro ocorrido nesta tarde no Rio de Janeiro”.
Pela manhã, no Rio de Janeiro, o presidente e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Fernando Ramos, encontraram a atriz para formalizar o convite.
A atriz irá substituir o dramaturgo Roberto Alvim. Ele foi demitido por Bolsonaro após forte reação a um vídeo no qual parafraseou Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.
Inicialmente, o presidente decidiu mantê-lo no posto, mas recuou após ser pressionado pela classe política e pela comunidade judaica.
Em meio à crise, Bolsonaro cogitou inicialmente recriar o Ministério da Cultura caso Regina Duarte aceitasse o convite.
No entanto, segundo assessores palacianos, o presidente foi convencido pelo núcleo político a recuar da possibilidade.
A avaliação foi a de que um aumento do número de pastas ministeriais, o que contraria uma promessa de campanha do presidente, teria uma repercussão negativa com potencial de ofuscar a adesão da atriz ao governo.
Nas palavras de um auxiliar, o presidente criaria sem necessidade uma pauta negativa, dando margem para críticas tanto da imprensa como da oposição. Isso, segundo esse interlocutor, prejudicaria a repercussão positiva da decisão da atriz.
A expectativa do Palácio do Planalto é de que, à frente da Cultura, Regina Duarte poderá reduzir a rejeição da maioria da classe artística à atual gestão.
Para o governo, isso seria possível porque ela tem amizade com atores e diretores identificados com partidos de esquerda.
Caso a conversa com a atriz não tiver o desfecho esperado, o entorno do presidente trabalhava como plano B o nome do ator Carlos Vereza, que também já manifestou apoio à atual gestão.
No sábado (18), em uma semana em que enfrentou dois escândalos na gestão federal, o presidente fez um desabafo público e disse não saber como pessoas de bem ficam felizes com um cargo no Poder Executivo.
No evento de mobilização da Aliança pelo Brasil -partido que está fundando-, promovido no Distrito Federal, ele se queixou de decepções e ingratidões e acrescentou que “cascas de banana” têm feito “vítimas fatais” em seu governo.
– Eu sabia que não seria fácil. Sabia do peso sobre as minhas costas eu vencendo a eleição. A cruz é pesada. Eu não sei como pessoas de bem possam ficar felizes com cargo no Poder Executivo. Não sei (…) A coisa é pesada. Decepções, ingratidões e gente que se revela depois que assume o poder – ressaltou.
Maitê Proença defende Regina Duarte
Em conversa com a coluna de Sonia Racy, do site O Antagonista, a atriz Maitê Proença defendeu a indicação da também atriz Regina Duarte para a liderança da Secretaria da Cultura pelo presidente da República Jair Bolsonaro.
“Regina não é perversa nem cínica, nem nazista. Dentro do cenário que vivemos, ela é a melhor das possibilidades”, afirmou a atriz, proclamando seu respeito por Regina, que aceitou hoje (20/01/20) o convite feito por Bolsonaro para o comando da pasta já citada, ocupando o lugar que antes era de Roberto Alvin, exonerado por conta de um vídeo onde fazia referências a um discurso realmente de origem nazista.
Maitê acrescentou ainda que Regina Duarte “trabalha desde a adolescência e conhece muita gente no meio. Ela tem admiradores de todas as ideologias”, reforçando a competência e a imparcialidade da global escolhida pelo presidente para coordenar a pauta da cultura no país.
Fonte: Pleno News
Foto: Ronaldo Silva/Futura Press









