A cidade de São Paulo vai receber neste segundo semestre de 2026 mais opções de modelos de ônibus elétricos.
O Diário do Transporte apurou junto a fabricantes e empresas de transportes que avançam as avaliações da gerenciadora do sistema de linhas da cidade, a SPTrans (São Paulo Transporte).
Como mostrou a reportagem, na última semana, a Prefeitura de São Paulo autorizou mudanças nos contratos das concessionárias do transporte coletivo para permitir a remuneração de novos tipos de veículos elétricos no sistema municipal de ônibus. O despacho, publicado no Diário Oficial da Cidade desta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, acolhe manifestações da SPTrans e da Assessoria Jurídica da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e autoriza o aditamento dos contratos das empresas que operam o serviço.
Relembre:
Alguns dos procedimentos de aprovação pela SPTrans foram revelados por executivos das fabricantes também na última semana durante a Lat.Bus 2026, feita especializada no setor, que ocorreu na capital paulista.
Fabricantes como Eletra, BYD, Mercedes-Benz, Volvo, Scania, Volkswagen e Caio anunciaram novidades na área de eletrificação, tanto em tecnologias, chassis e carrocerias. Mesmo não participando do evento, outras fabricantes como as chinesas Higer e Ankai dizem oferecer opções.
Muitas delas, pretendem preencher lacunas de modelos ou ampliar as opções de configurações já existentes.
Muito embora o principal motivo apontado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes para a eletrificação não avançar conforme o previsto, não alcançando ainda a meta de 2024, seja a alegação de que a ENEL não adaptou a infraestrutura de distribuição de energia suficiente, há ainda determinados tipos de modelos que possuem poucas opções ainda.
É o caso dos mídis, os chamados micrões, essenciais no chamando lote de Distribuição Local, das ex cooperativas em linhas de periferia.
Desta vez, Eletra veio com uma opção de piso baixo que possui a mesma potência de um superarticulado, justamente para enfrentar áreas difíceis e as maiores exigências destas linhas de periferia, com relevos acentuados e alto carregamento de passageiros por jornada. Normalmente são linhas menores, com mais viagens e mais sobe e desce de gente. No fim do dia, um micrão acaba levado quase a mesma quantidade de gente que veículos maiores.
A BYD também apresenta um modelo de midi com um novo tipo de bateria, denominada Blade, que é mais leve, menor e ocupa menos espaço, aumentando a capacidade de transportes de passageiros em cada veículo.
Também para atendimento em áreas de periferia, mas onde o piso-baixo tende a apresentar mais problemas, passaram a ser oferecidos modelos de piso alo elétricos.
Mesmo com elevadores, este tipo de ônibus não oferece a acessibilidade que piso-baixo, por serem adequados somente para quem usa cadeira de rodas. Quem tem dificuldades de movimento e visão, mas não é cadeirante, nestes modelos precisa ainda enfrentar degraus dos ônibus.
O Diário do Transporte questionou o prefeito Ricardo Nunes sobre a aceitação destes modelos, durante evento de apresentação de nova frota em junho, que disse se as permissões serão apenas exceções.
Relembre:
A Caio já se preparou prevendo aumento de procura e lançou o eApache Vip 2, uma carroceria para elétricos de piso alto.
Atualmente, a empresa oferece modelos em parceria com a Blu Eletric e Volkswagen.
Ainda na periferia, um serviço passou a ser atendido somente com vans elétricas porque as vias não comportam sequer micro-ônibus.
A nova linha entrou em operação em 11 de agosto de 2026, chamada de 1027-10 Terminal Jardim Britânia – Itaberaba I, na Zona Noroeste da capital.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a São Paulo Transporte (SPTrans), a nova linha atenderá a comunidade de Itaberaba I, na região do Morro Doce, ampliando a cobertura do transporte coletivo em uma área onde as características do sistema viário dificultam a circulação de ônibus convencionais e até mídis (micrão) e micros.
O Diário do Transporte também noticiou.
Relembre:
Já para linhas maiores, do tipo troncal, mas que dependendo do espaço de terminais e vias, os superarticulados de 21,5 m a 23 metros oferecidos pela BYD e Eletra são grandes demais, a grande aposta lançada ao mercado é um modelo de 18 metros da Mercedes-Benz.
O Diário do Transporte conheceu de perto os testes e demonstrações do veículo no campo de testes da montadora em Iracemápolis, no interior paulista.
Relembre:
Neste segmento de 18 metros, a Higer também oferece um modelo de piso baixo de ponta a ponta, sem sequer os degraus traseiros.
Isso é possível devido a estrutura de monobloco. Os outros ônibus de diferentes portes da Higer também são assim, a exemplo da Ankai que também segue o padrão monobloco que é a integração entre chassis, carrocerias e motores em um só bloco, daí o nome monobloco.
Ainda no quesito intermediários, para aplicações onde os modelos padrons de até 13,5 metros de comprimento são insuficientes e os articulados são grandes demais, inclusive o de 18 metros, Scania e Volvo apresentaram lançamentos de ônibus elétricos de 15 metros e três eixos.
A Scania possui já um modelo em parceria com a Eletra, um dos mais vendidos de São Paulo, e agora parte para “voo solo”. Já a Volvo “debuta” neste segmento de 15 metros dos elétricos.
Já existem centenas de ônibus deste tipo rodando, mas os passageiros têm reclamado porque estão sendo colocados não em linhas onde tinham os padrons para aumentar a capacidade, mas onde tinham os a diesel articulados, somente para reduzir os custos dos empresários de ônibus.
A alegação é de que a frota em casos específicos aumentou e de que como não havia muita oferta de 18 metros elétricos e os a diesel estavam defasados, os de15 metros foram a alternativa.
As viações não podem comprar ônibus a diesel 0 km desde 17 de outubro de 2022.
A cidade de São Paulo possui 1759 unidades. É a maior frota do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda é abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
Na 1ª Reunião da Câmara Temática do Transporte Público do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), da capital paulista, realizada na última quarta-feira (17), a SPTrans (São Paulo Transporte) admitiu que a idade dos ônibus está avançada, mais que o habitual na cidade: a média é de 6 anos e 11 meses.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte










