O 8º Simpósio de Esporte e Lazer do Grande ABC encerrou nesta sexta-feira (6/11) sua programação, realizada na Universidade Federal do ABC (UFABC), campus Santo André. Com o tema “Esporte e Lazer como direito das pessoas”, o evento promoveu debates, oficinas e atividades culturais voltados ao fortalecimento de políticas públicas inclusivas, à promoção da saúde e à garantia do acesso ao esporte e ao lazer para toda a população.
Ao longo de três dias, gestores públicos, pesquisadores, profissionais, estudantes e representantes da sociedade civil compartilharam experiências e discutiram caminhos para ampliar a participação da população nas práticas esportivas e de lazer.
A edição deste ano direcionou atenção especial às pessoas com deficiência, à população idosa e a grupos historicamente vulnerabilizados, reforçando a necessidade de políticas democráticas, acessíveis e intersetoriais.
Além do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e das prefeituras das sete cidades, o evento contou com a coordenação da UFABC e o apoio da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e do Serviço Social do Comércio (Sesc).
Programação
A conferência de abertura, intitulada “Garantia do direito ao Esporte e Lazer: desafios para a Gestão Pública e a Sociedade Civil”, foi conduzida pelo professor Luiz Wilson Alves Corrêa Pina, da UFABC. A apresentação abordou a legislação que fundamenta o direito ao esporte e ao lazer, os papéis complementares do Estado e da sociedade civil na formulação e implementação de políticas públicas e a importância da superação das desigualdades. Também foram discutidas a convergência entre esporte, lazer, cultura e turismo, a dimensão econômica desses setores, a transversalidade das políticas públicas e o desenvolvimento de projetos intersetoriais. Outro ponto destacado foi o esporte de participação, que prioriza a convivência e a socialização, sem necessariamente estar associado à competição.
A relação entre atividade física e saúde coletiva esteve entre os destaques da programação de quinta-feira (5/11). A palestra “Atividade físico-esportiva e saúde coletiva à diversidade e à identidade local” reuniu os debatedores Douglas Andrade, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Vinicius Candido Fenero e Wilson Roberto Emiliani Junior. As discussões abordaram a inserção das práticas corporais no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária, o trabalho multiprofissional e o planejamento de ações nos polos do Programa Academia da Saúde. Também foram ressaltados os benefícios da atividade física para a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento de ações nos territórios.
Outro tema em destaque foi o acesso aos parques urbanos e espaços verdes. A mesa-redonda “Parques, Ecologia e território: o direito ao lazer em Parques e Espaços Verdes Acessíveis” contou com a participação dos debatedores Reinaldo Tadeu Boscolo Pacheco e Iranilda Medeiros. O encontro promoveu reflexões sobre acessibilidade, direito à cidade e as chamadas “catracas invisíveis”, barreiras arquitetônicas, atitudinais e socioeconômicas que dificultam o uso dos espaços públicos por diferentes grupos. Os participantes discutiram ainda a importância da gestão ambiental, do planejamento urbano, da inclusão social e da valorização dos parques como locais de convivência, lazer e preservação ambiental.
A inclusão também esteve presente nas atividades práticas. No primeiro dia, a apresentação do Futdown, iniciativa desenvolvida pela Escola Oficial de Futsal de São Bernardo do Campo, em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, a Associação Paradesportiva JR e o Andreense FC, evidenciou as possibilidades de participação de crianças e jovens com Síndrome de Down e deficiência intelectual por meio do esporte.
As oficinas práticas contemplaram diferentes modalidades e experiências corporais. As vivências valorizaram a diversidade de práticas e as possibilidades de adaptação das atividades às necessidades dos participantes, contribuindo para a promoção da autonomia, da convivência, do envelhecimento ativo, da saúde e da inclusão social.
A roda de conversa-resenha “Vozes que Movem: Inclusão, Esporte e Lazer para Todas as Pessoas” também integrou a programação de quinta-feira. O encontro reuniu Patrícia Moretti, representante da área de pessoas com deficiência; Alan Fernandes, da área de políticas de cidadania e diversidades; e João Moreira, o Mestre Pelé, na área de igualdade racial.
O debate abordou práticas, desafios e possibilidades de inclusão por meio do esporte e do lazer, considerando pessoas com deficiência, população LGBTQIAP+, saúde mental e outros grupos historicamente invisibilizados. A conversa ressaltou a importância da formação, da troca de experiências e da disseminação de boas práticas para a construção de ambientes mais acolhedores e acessíveis, ampliando o direito ao movimento, ao lazer e à participação social.
O simpósio também contou com a apresentação de trabalhos acadêmicos. A atividade valorizou a produção de conhecimento e o intercâmbio de experiências relacionadas ao esporte, ao lazer e às políticas públicas.
A conferência de encerramento, “Direito ao Esporte e ao Lazer: como transformar princípios em práticas nos territórios”, foi conduzida pelo professor Leonardo Calix Soares. O encontro discutiu desafios e estratégias para transformar diretrizes e princípios que asseguram o direito ao esporte e ao lazer em ações concretas, por meio do fortalecimento das equipes, dos processos de gestão e das redes de colaboração. A atividade reforçou a importância da construção de territórios mais democráticos, participativos e inclusivos.
Foto: Divulgação Consórcio











