A Prefeitura de São Paulo autorizou nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, mais R$ 156,8 milhões em empenhos para a eletrificação das frotas de ônibus da Via Sudeste Transportes e da Viação Santa Brígida, concessionárias do sistema municipal gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte).
Somadas às liberações acompanhadas pelo Diário do Transporte durante o mês de julho, as autorizações mais recentes para eletrificação chegam a R$ 581,25 milhões.
Os dois novos despachos foram publicados pela SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte) no Diário Oficial da Cidade.
A maior parcela é destinada à Via Sudeste Transportes S.A., que terá empenhados R$ 146.856.254,40 para a eletrificação da frota do Lote E4, correspondente ao Contrato de Concessão nº 023/2019.
Para a Viação Santa Brígida Ltda., responsável pelo Lote E1, do Contrato de Concessão nº 020/2019, foram autorizados R$ 9.991.062,40.
Os dois valores totalizam exatamente R$ 156.847.316,80.
Os atos autorizam a emissão das respectivas notas de empenho e determinam, depois dos procedimentos financeiros, o encaminhamento dos processos à SPTrans para prosseguimento.
As publicações não informam quantos ônibus elétricos serão adquiridos pelas duas concessionárias, quais serão os modelos nem os fabricantes dos veículos.
Mais de R$ 581 milhões desde julho
As novas autorizações ampliam uma sequência de empenhos que o Diário do Transporte vem acompanhando.
Em 30 de julho, a reportagem mostrou que somente as liberações acompanhadas durante aquele mês já haviam alcançado R$ 424.402.761,32.
Naquela ocasião, os últimos R$ 22,9 milhões haviam sido destinados à Norte Buss e à Alfa Rodobus. Antes, diferentes rodadas contemplaram Metrópole Paulista, Mobibrasil, Spencer, Gatusa, Gato Preto, Sambaíba, Campo Belo, Auto Bless, A2 Transportes, Pêssego, Transppass e a própria Norte Buss.
Agora:
R$ 424.402.761,32 — empenhos acompanhados pelo Diário do Transporte em julho;
R$ 156.847.316,80 — Via Sudeste e Santa Brígida nesta quinta-feira (20);
Total: R$ 581.250.078,12.
O montante não representa todo o dinheiro destinado pela Prefeitura à eletrificação em 2026, mas a soma dessas rodadas mais recentes de autorizações de empenho acompanhadas pelo Diário do Transporte.
Em maio, por exemplo, a administração municipal também havia autorizado R$ 225 milhões para Mobibrasil, Consórcio KBPX e Metrópole Paulista, destinados a 102 ônibus elétricos.
Financiamentos chegam a bilhões
Os empenhos fazem parte de uma estrutura financeira muito maior montada pela Prefeitura para tentar acelerar a substituição dos ônibus a diesel.
Como o Diário do Transporte mostrou, a administração municipal informou ter contratado aproximadamente R$ 6,5 bilhões em diferentes operações de crédito relacionadas à eletrificação e modernização do sistema. A Prefeitura utiliza, entre outras fontes, financiamentos do Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal.
A estratégia adotada é de subvenção. Como os ônibus elétricos custam mais que os equivalentes a diesel, o poder público utiliza recursos financeiros para cobrir parte da diferença entre os valores de referência dos dois tipos de veículos.
Mais US$ 496,6 milhões do BID e Bird
Outra frente, separada dos empenhos publicados nesta quinta-feira, envolve os financiamentos internacionais do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), instituição do Grupo Banco Mundial.
São duas operações de US$ 248,3 milhões cada, totalizando US$ 496,6 milhões.
As autorizações do Senado foram formalizadas em 17 de agosto de 2026 e, segundo estimativas apresentadas pela Prefeitura, os financiamentos têm potencial para contribuir para a entrada de aproximadamente 1,1 mil ônibus elétricos no sistema municipal.
O Diário do Transporte mostrou que a tramitação chegou a provocar uma disputa entre a Prefeitura e o Governo Federal. A gestão Ricardo Nunes acionou o Senado e o TCU (Tribunal de Contas da União) e acusou o Governo Federal de demora na conclusão dos procedimentos.
A aprovação e a publicação das resoluções do Senado, entretanto, não significam liberação imediata dos US$ 496,6 milhões. Ainda são necessárias etapas relacionadas aos contratos, garantia da União, contragarantias municipais e condições exigidas para os primeiros desembolsos.
Novos tipos de ônibus estão sendo preparados
O aumento dos recursos ocorre ao mesmo tempo em que a SPTrans amplia o leque de modelos que poderão ser utilizados pelas concessionárias.
Como mostrou o Diário do Transporte em 16 de agosto, a Prefeitura já autorizou alterações contratuais para permitir a remuneração de novos tipos de veículos elétricos que sejam incorporados ao sistema.
Fabricantes como Eletra, BYD, Mercedes-Benz, Volvo, Scania, Volkswagen e Caio apresentaram ou desenvolvem novas configurações, entre elas mídis, ônibus de piso alto para aplicações específicas, modelos de 15 metros e três eixos e articulados de 18 metros.
A ampliação das opções tenta resolver também um dos problemas enfrentados na eletrificação: determinados segmentos do sistema ainda possuem poucas alternativas de veículos disponíveis ou homologados.
São Paulo tinha, na última atualização divulgada pela Prefeitura, 1.759 ônibus elétricos, incluindo trólebus. Apesar de ser a maior frota do tipo no País, o número ainda representa pouco mais de 13% dos aproximadamente 13,4 mil ônibus do sistema e permanece abaixo da antiga meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024.
Entre os obstáculos apontados ao longo dos últimos anos estão o custo dos veículos, financiamento, capacidade da rede de distribuição de energia e infraestrutura para recarga nas garagens.
Tem dinheiro, mas avanço é abaixo da meta:
A cidade de São Paulo tem 1759 coletivos a eletricidade, contando com 189 trólebus. É a maior frota do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda é abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
A prefeitura atribui este atraso principalmente a falta de infraestrutura para dar conta da tensão de energia na rede da ENEL.
Desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de comprar ônibus a diesel. Como a elétrica não avança no ritmo necessário, a frota circulante envelhece. A SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema municipal, ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos de modelo e, no caso dos mídis (micrões), este limite passou para 14 anos de modelo e 15 anos de fabricação.
Agora, a meta é nova, mais modesta: mais 2,2 mil ônibus menos poluentes até 2028, considerando a possibilidade de ônibus a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).
Na 1ª Reunião da Câmara Temática do Transporte Público do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), da capital paulista, realizada em 17 de junho de 2026, a SPTrans (São Paulo Transporte) admitiu que a idade dos ônibus está avançada, mais que o habitual na cidade: a média é de 6 anos e 11 meses.
O editor chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, esteve no dia 21 de junho de 2026, cobrindo a apresentação de 500 ônibus elétricos para a cidade.
Na ocasião, Nunes disse que espera alcançar a nova meta antes do prazo previsto.
Relembre:
O Diário do Transporte vem acompanhando desde o início a estratégia adotada pela Prefeitura de São Paulo para acelerar a eletrificação da frota por meio de sucessivas autorizações de empenho às concessionárias.
Em reportagens anteriores, o portal mostrou que a administração municipal passou a utilizar recursos orçamentários para complementar o modelo de financiamento dos veículos elétricos, reduzindo o impacto do elevado custo inicial dessa tecnologia para as operadoras.
A medida integra o conjunto de ações destinadas ao cumprimento das metas estabelecidas pela Lei Municipal nº 16.802/2018, que prevê a substituição gradual dos ônibus movidos a combustíveis fósseis por veículos menos poluentes, além da Lei Municipal nº 14.933/2009, que instituiu a Política Municipal de Mudança do Clima.
Cidade contratou cerca de R$ 6,5 bilhões em financiamentos
Como o Diário do Transporte mostrou em reportagens anteriores, o Município contratou aproximadamente R$ 6,5 bilhões em operações de crédito junto a diferentes instituições financeiras para sustentar os investimentos em ônibus elétricos e na modernização do transporte coletivo.
Esses financiamentos envolvem bancos públicos, bancos de desenvolvimento e organismos nacionais e internacionais, permitindo que a cidade distribua os investimentos ao longo dos próximos anos e acelere a incorporação de veículos de emissão zero sem concentrar o desembolso em um único exercício orçamentário.
Objetivo é acelerar a transição energética
Os recursos autorizados nesta nova rodada serão utilizados na eletrificação da frota das concessionárias e fazem parte da política municipal de descarbonização do transporte coletivo.
Além da redução das emissões de poluentes e dos gases de efeito estufa, a expectativa é que a renovação da frota proporcione menor nível de ruído, melhoria da qualidade ambiental e maior eficiência operacional do sistema, embora a expansão da frota elétrica ainda dependa da disponibilidade de infraestrutura de recarga, fornecimento de energia e da continuidade dos financiamentos públicos.
Com as novas autorizações, a Prefeitura mantém o ritmo de liberações financeiras para que as concessionárias possam prosseguir com a aquisição de ônibus elétricos ao longo de 2026.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Diário do Transporte










