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Microempreendedores apresentam propostas ao governo para fortalecer o setor

24/07/2026
in Noticias
Microempreendedores apresentam propostas ao governo para fortalecer o setor
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Os microempreendedores brasileiros reivindicam que a inclusão seja tratada como política de desenvolvimento, maior foco nos territórios, equidade e que o Estado fortaleça  seu papel como articulador e promotor de inovações para o ecossistema. Além disso, esperam que as políticas públicas para o setor sejam implementadas de forma coordenada com os empreendedores, a sociedade civil e as empresas que apoiam e promovem suas atividades no país. Estas são algumas das recomendações apresentadas ao governo, a partir da carta desenvolvida no Summit Aliança Empreendedora 2026 por meio do 8° Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo finalizado, hoje, em Brasília.

O documento traz um compilado das demandas dos últimos três anos de Fórum, traçando uma linha do tempo da evolução das dores dos microempreendedores. Em 2026, o foco está em consolidar uma agenda estratégica para a inclusão econômica, com metas e instrumentos de política pública. Outras medidas apontadas foram a criação de fundos territoriais e agendas estratégicas de crédito; fortalecimento de cadeias produtivas locais e incentivo à integração regional; promoção de equidade competitiva para microempreendedores e inovação tecnológica com o uso de IA; protagonismo às juventudes empreendedoras, com foco em qualificação profissional, projeto de vida e permanência territorial; entre outras.

Realizado pela organização social Aliança Empreendedora, o Summit abrigou o 8º Fórum Brasileiro do Microempreendedorismo e o Encontro Nacional de Microempreendedores, com cerca de 300 participantes, entre empreendedores, institutos, fundações e organizações sociais. A forte conexão da organização com a base da pirâmide, bem como com as autoridades governamentais, permite discutir com propriedade e propor ações efetivas para o fomento do ecossistema empreendedor no Brasil.

Esse foi um dos objetivos das rodadas de visitas ministeriais e reuniões técnicas realizadas no segundo dia do evento. A partir desses encontros, foram formatadas as recomendações, apresentadas ao poder público pela vice-presidente da Aliança Empreendedora, Camila Reis, durante cerimônia no Ministério do Desenvolvimento e da Integração Regional. Estiveram presentes na cerimônia Alison Ramon, Diretor de Apoio ao Empreendedorismo na Secretaria Nacional de Inclusão Socioeconômica, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); Lucas Arantes Miotti, Chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); Marina Servato Ferreira – Diretora do Departamento de Estruturação de Projetos e Sustentabilidade (MIDR); e Rosângela da Silva Ribeiro – Consultora na área da Política de Assistência Social na Confederação Nacional dos Municípios e integrante da área de Relações Institucionais na GESUAS (sistema de gestão do Sistema Único de Assistência Social), representantes da Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial.

O documento entregue, hoje, às autoridades federais orientará ações conjuntas de diversas organizações e servirá de base para a agenda de advocacy da Aliança Empreendedora no período eleitoral, ampliando o alcance das propostas e dos compromissos construídos no encontro encerrado hoje.

​”Quando aproximamos o poder público de empreendedores, institutos e empresas, as políticas públicas ganham eficiência e passam a refletir as reais necessidades dos territórios”, destaca Camila Reis, vice-presidente da Aliança Empreendedora. “O Summit gerou um diagnóstico rico e plural, e a expectativa agora é ver esse conhecimento aplicado na prática. O próximo passo é garantir que essas recomendações integrem os planos de governo dos candidatos nestas eleições, servindo como base para futuras ações governamentais comprometidas com a transformação social.”

Para Lucas Arantes Miotti, Chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, do MIDR “a Secretaria de Desenvolvimento Regional, tem como foco dar condições de renda e dignidade para os pequenos produtores e empreendedores. Diante das limitações orçamentárias e administrativas que enfrentamos no dia a dia, a construção de parcerias, como essa com a Aliança Empreendedora, se torna fundamental para fortalecer o microempreendedorismo. Como defende o ministro Waldez Góes, o desenvolvimento regional só acontece quando valorizamos quem está na base, seja no campo ou na periferia. Sem gerar oportunidade e dignidade para o microprodutor, o país não avança.”

 

 

Oficinas e visitas técnicas

 

Ontem, durante o segundo dia do Summit, aproximadamente  de  150 microempreendedores participaram de diferentes oficinas de capacitação na agenda do Encontro Nacional, que abordaram temas como compras governamentais, formalização das atividades, liderança comunitária, networking e uso de inteligência artificial para impulsionar os negócios. Também receberam mentorias individualizadas e dicas sobre como compatibilizar o tempo dedicado aos empreendimentos com os compromissos pessoais e familiares.

Em atividades paralelas, empreendedores e representantes do ecossistema de apoio ao segmento, que integram a Delegação do Programa Empreender 360,realizaram visitas técnicas a negócios de impacto do Distrito Federal e reuniões com os ministérios de Gestão e Inovação (MGI) , do Empreendedorismo (MEMP), da Fazenda  e do Trabalho e Emprego (MTE). Ao longo do dia foram abordados temas como o acesso ao crédito para empreendedores negros e indígenas, os impactos da reforma tributária sobre o setor e oportunidades de inclusão produtiva para jovens, entre outros.

“Reunir todo este ecossistema traz muita riqueza ao debate e funciona como um espaço de reconhecimento e de voz para todas as pessoas comprometidas com o microempreendedorismo”, avalia a coordenadora do Summit Aliança Empreendedora 2026, Alexandra Meira. “Sempre há o que aprender”, completa.

 

Perfil do setor

Um dos destaques do Summit foi o lançamento da segunda edição do estudo “Todos Podem Empreender”, que mostra os potenciais e gargalos da economia e do microempreendedorismo no país. O estudo demonstra que o microempreendedorismo é um dos pilares estruturais do mercado de trabalho brasileiro, representando o segundo maior bloco de ocupação no país: no período de 2016 a 2025, o contingente de microempreendedores saltou de 23,2 milhões para 27,9 milhões de pessoas com negócios formais ou informais ativos, movimentando aproximadamente R$ 43 bilhões, em 2025.

Além do crescimento quantitativo, o perfil demográfico e educacional do grupo passou por transformações ao longo dos anos. Embora o setor seja predominantemente masculino (65%), observou-se uma crescente feminização, com a participação das mulheres subindo de 32,1% para 34,4% na última década.

Em relação à faixa etária, houve um envelhecimento moderado, com a faixa de 60 anos passando de 12,1% para 14,7% do grupo, indicando que empreender funciona como alternativa de permanência no mercado para trabalhadores mais velhos. E os pardos (43,2%) e brancos (44,5%) formam os maiores grupos raciais. Contudo, a mudança mais nítida reside no salto do capital educacional: a proporção de microempreendedores com ensino superior completo subiu de 12% para mais de 20%, enquanto aqueles com nível fundamental incompleto recuaram de 35% para menos de 25%.

O estudo revela que o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) abriga 10,4 milhões de microempreendedores (37%), dos quais, aproximadamente, 57% são informais. Além disso, 7 em cada 10 microempreendedores no CadÚnico são extremamente pobres, ganhando menos de R$ 218,00 mensais (em valores aproximados). Ancorada em barreiras estruturais e setoriais, esta informalidade representa a ausência de instrumentos básicos de crescimento, como o acesso a crédito formal, a emissão de notas fiscais e a construção de um histórico financeiro que permita o investimento em capital fixo. O estudo também mostra que investir em políticas públicas e oportunidades para os informais ajuda em um incremento de renda de 9,5 % em sua renda mensal. E que um aumento na formalização  5% acima do esperado pode injetar até 180 milhões na economia brasileira em quatro anos

O Summit é uma realização da Aliança Empreendedora com o Programa Empreender 360, e conta com o patrocínio do Bank of America, Fundação Arymax, Instituto Assaí, Fundação Grupo Volkswagen, Suzano, Sebrae, Instituto Aegea, Instituto Lojas Renner e Cielo.

 

Sobre a Aliança Empreendedora

A Aliança Empreendedora acredita que todos e todas os brasileiros podem empreender de forma digna e justa, e impulsiona o empreendedorismo na base da pirâmide como caminho para transformar o Brasil. Em 20 anos já apoiou mais de 400 mil microempreendedores, recebendo em 2023 o Prêmio de Melhor ONG de Geração de Renda do Brasil. Neste sentido, capacita e apoia gratuitamente microempreendedores formais e informais em comunidades e periferias de todo o país, gerando inclusão e desenvolvimento econômico social, em parceria com empresas, governos, organizações sociais e interessados na causa. Saiba mais no site da organização.

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