É bom lembrar que, segundo a tradição, a idade é contada a partir da fundação, por João Ramalho, da Vila de Santo André da Borda do Campo no dia 8 de abril de 1553
Nessa época, os padres jesuítas do Colégio na Vila de São Vicente, foram autorizados a instalar o Colégio de São Paulo, nos limites de Santo André.
Assim, em 1560, por causa da ameaça de ataques dos índios carijós, o governador geral do Brasil, Mem de Sá, ordenou a transferência do povoado para as imediações do Colégio, que deu origem à cidade de São Paulo.
Era extinta o povoamento de Santo André da Borda do Campo.
Já em 1637, Miguel Aires Maldonado doou aos monges beneditinos uma sesmaria herdada do sogro Amador de Medeiros.
Mas, a ocupação pelos monges beneditinos só ocorreu no início do século XVIII, quando lá instalaram uma fazenda entre o Ribeirão dos Meninos e o caminho do mar, onde hoje ficam as avenida Vergueiro e Kennedy.
Ali, em 1717, o Abade Frei Bartolomeu da Conceição ordenara a construção de uma capela dedicada a São Bernardo.
A fazenda dos monges emprestaria o nome à região, que passaria a ser conhecida como bairro de São Bernardo.
A economia local seria impactada com a construção da calçada do Lorena (1789-1791), no trecho da serra do caminho do mar.
Com a calçada, o transporte de mercadorias (principalmente o açúcar) por meio de muares até o litoral foi facilitado e São Bernardo, estrategicamente posicionada entre Santos e São Paulo, teria no tropeirismo um dos principais meios de vida dos seus habitantes durante boa parte do século XIX.
Entre 1877 e 1897, o território de São Bernardo recebeu intenso fluxo migratório de estrangeiros, que vinham para ocupar núcleos coloniais recém-criados pelo governo imperial.
O crescimento populacional ocorrido em função da imigração foi uma das justificativas que permitiram que a freguesia pleiteasse sua autonomia em relação à cidade de São Paulo, o que de fato ocorreu treze anos após o estabelecimento do primeiro núcleo colonial.
Em 12 de Março de 1889, a lei n.38 foi sancionada pelo Presidente da Província, Pedro Vicente de Azevedo, oficializando-se assim a criação do Município de São Bernardo.
A instalação efetiva do município – fundamental para que o mesmo pudesse eleger suas autoridades e arrecadar seus impostos – só viria a acontecer em 2 de maio de 1890.
A instalação da Câmara dos Vereadores de São Bernardo aconteceu no dia 29 de Setembro de 1892, data da posse de sua primeira legislatura.
Quando se desmembrou de São Paulo e se tornou município em 1890, São Bernardo englobava em seus limites toda a região do atual ABC paulista.
Nos primórdios do séc. XX, o desenvolvimento econômico era superior aos demais bairros ou distritos que integravam o antigo município.
A força econômica vinha principalmente da fabricação de carvão e do corte de madeira.
E já florescia a indústria de móveis através de João Basso.
Em 1911, a partir da lei que concedia benefícios fiscais às empresas que aqui chegassem, quebrou a economia local.
Até 1920 as empresas preferiam se instalar próximo à estação ferroviária, o que favoreceu o Distrito de Santo André.
Paralelamente, São Bernardo teria, a partir de 1927, parcela de seu território inundado com a construção da represa Billings, que represou as águas do rio grande e do rio das pedras, a fim de gerar eletricidade na usina Henri Borden , em Cubatão.
Os anos 30 marcariam o acirramento da rivalidade no âmbito político entre a sede e o distrito andreense.
O distrito já era uma potência de maior vulto que a Vila de São Bernardo, contendo indústrias multinacionais de grande porte como a Rhodia e a Pirelli, enquanto que em território sambernardense as fábricas existentes (nessa década já predominavam aqui as fábricas de móveis) eram basicamente pequenos e médios empreendimentos de base familiar, sem a mesma estatura que as empresas de Santo André.
Simultaneamente a esse desenvolvimento, surgia nos andreenses a ambição de transferir a sede municipal para o seu território.
De maneira ilegal, os prefeitos já despachavam em Santo André, mesmo que oficialmente a sede ainda não tivesse sido transferida.
Em 1938, o país vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas.
O ditador nomeava os interventores estaduais e lhes dava plenos poderes para rebaixar municípios a distritos, elevar estes à condição de cidade e para nomear prefeitos.
Em 30 de novembro de 1938, depois de uma articulação de políticos andreenses, o interventor estadual Ademar de Barros assinou um decreto transferindo a sede do município de São Bernardo para Santo André, sendo a antiga Vila de São Bernardo rebaixada a mero distrito.
Em maio de 1943, sob a liderança de Wallace C. Simonsen, aconteceu a fundação da Sociedade dos Amigos de São Bernardo.
Aproveitando-se de uma reforma administrativa visando a criação de municípios em todo o estado, que à época estava sendo planejada pelo governo estadual, o grupo solicitou a emancipação do então distrito de São Bernardo, alegando que o crescimento local – em termos de contingente populacional, arrecadação de impostos, etc – era suficiente para justificar o pedido.
Graças à persistência desse grupo e à influência política de Wallace C. Simonsen, o decreto lei 14.334 de 30/11/1944, que estabelecia a nova divisão político-administrativa do Estado e São Paulo, elevou novamente o distrito de São Bernardo à categoria de município.
No dia 1° de Janeiro de 1945, o novo município foi instalado, agora com o denominativo ”do Campo” agregado ao nome “São Bernardo”.
Wallace C. Simonsen foi nomeado prefeito e governou a cidade até 1947.
Dados
A área total do município é de 409,88 km² e sua população de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, é de 833 240 habitantes, o que resulta em uma densidade demográfica de 2024,33 hab/km².
O município é formado pela sede e pelo distrito de Riacho Grande.








